A implantação do Centre Pompidou Paraná, localizado em Foz do Iguaçu, alcançou um novo marco com a formalização dos contratos de cooperação técnica e cultural, que são essenciais para a operacionalização da futura unidade da renomada instituição francesa no estado. Este projeto representa a primeira parceria do Centre Pompidou nas Américas e é considerado um dos mais significativos investimentos culturais em andamento na América Latina, com potencial para transformar a cidade em um dos principais destinos de turismo cultural, além de contribuir para o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural da região.
A publicação da contratação no Diário Oficial do Estado, ocorrida nesta segunda-feira (22), informa que o investimento totaliza R$ 183 milhões, englobando um conjunto abrangente de serviços necessários para a implementação e operação do museu.
Ao longo de oito anos, a parceria não apenas permitirá o licenciamento da marca Centre Pompidou, mas também incluirá consultoria técnica especializada, transferência de conhecimentos, formação e treinamento de equipes, missões técnicas, acompanhamento presencial de especialistas, desenvolvimento de programas museológicos e curatoriais, bem como acesso ao acervo e às exposições da instituição francesa. Essas iniciativas estão previstas na parceria e foram estruturadas para atender às diferentes etapas do projeto, abrangendo tanto o período atual de pré-operacionalização quanto os primeiros anos de funcionamento do museu. O objetivo é garantir que a nova unidade mantenha os mesmos padrões internacionais de excelência presentes nas demais experiências que o Centre Pompidou oferece globalmente. A inauguração está prevista para dezembro de 2028.
Luciana Casagrande Pereira, secretária de Estado da Cultura, enfatiza que o projeto é um marco histórico para a cultura brasileira, destacando o protagonismo do Paraná no cenário internacional. “O Centre Pompidou Paraná é muito mais do que um simples museu. Trata-se de um equipamento que tem o potencial de conectar o Paraná aos principais circuitos globais da arte contemporânea, inovação e produção cultural. Este é um investimento de longo prazo que não só ampliará o acesso da população à cultura, mas também fortalecerá a economia criativa e posicionará o estado como uma referência internacional nas políticas culturais”, afirmou.
Débora Mateus, diretora de Implantação do Centre Pompidou Paraná, acrescenta que a parceria vai além da simples utilização da marca da instituição francesa. “Os contratos envolvem não apenas a transferência de conhecimento, mas também consultoria especializada, formação de equipes, acompanhamento técnico e intercâmbios culturais. O acesso ao conteúdo artístico e museológico do Centre Pompidou e esse conjunto de ações são essenciais para garantir que o Paraná implante um equipamento cultural que atenda aos mais elevados padrões internacionais de gestão, programação e experiência do público”, afirmou.
Mateus destaca ainda que a construção do museu representa uma oportunidade única para o fortalecimento do setor cultural brasileiro. “Estamos desenvolvendo um projeto que articula cultura, educação, turismo, pesquisa, responsabilidade ambiental e desenvolvimento econômico. O Centre Pompidou Paraná permitirá diálogos com grandes instituições globais e promoverá a valorização da produção artística brasileira e latino-americana, gerando novas oportunidades para artistas, pesquisadores e profissionais da cultura”, complementou.
A expectativa do Governo do Paraná é de que o Centre Pompidou Paraná se torne um dos principais equipamentos culturais da América Latina. Estudos realizados sobre o cenário turístico de Foz do Iguaçu e a análise de equipamentos culturais semelhantes indicam que o museu poderá receber cerca de 800 mil visitantes anualmente.
“Foz já é um destino reconhecido mundialmente por suas Cataratas. Com a chegada do Centre Pompidou Paraná, a cidade irá ampliar sua vocação internacional e oferecer uma experiência cultural de relevância global. Isso traduz-se em atrair novos públicos, aumentar o tempo de permanência dos visitantes na região e gerar oportunidades para diversos setores econômicos”, afirmou Débora Mateus.
EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS –
A aposta em grandes equipamentos culturais como motores do desenvolvimento econômico e turístico tem sido uma estratégia adotada por diversas cidades em todo o mundo. Um dos exemplos mais notáveis é o Louvre Abu Dhabi, inaugurado em 2017 nos Emirados Árabes Unidos. Este projeto é resultado de uma colaboração entre os governos francês e emiradense, sendo parte de um amplo distrito cultural voltado para a diversificação da economia local por meio da cultura e do turismo.
Desde sua abertura, o museu atraiu milhões de visitantes e se estabeleceu como uma das principais atrações culturais do Oriente Médio. Em dois anos de funcionamento, superou a marca de 2 milhões de visitantes, tornando-se o museu mais visitado do mundo árabe, e se incorporou à estratégia de posicionamento internacional de Abu Dhabi como um destino cultural global, contribuindo para o crescimento do turismo, hotelaria, serviços e economia criativa.
Outro exemplo significativo é o “efeito Bilbao”, na Espanha. A inauguração do Museu Guggenheim Bilbao, em 1997, revitalizou uma antiga cidade industrial, transformando-a em um dos principais destinos turísticos e culturais da Europa. O museu se tornou um símbolo de revitalização urbana, atraindo investimentos e ampliando o fluxo de visitantes, impulsionando a economia local.
Débora Mateus ressalta que os impactos do projeto paranaense vão além do aspecto econômico, já comprovado pelas experiências internacionais. A cultura é vista como um agente transformador fundamental para o desenvolvimento sustentável. “Os grandes museus contemporâneos são mais do que simples espaços expositivos; eles funcionam como plataformas de inovação, educação, turismo, produção de conhecimento e desenvolvimento econômico. Experiências internacionais demonstram que investimentos estruturados em cultura geram impactos que se estendem para toda cidade e região”, argumenta.
A expectativa é que o Centre Pompidou Paraná atue de maneira semelhante em Foz do Iguaçu, agregando ao turismo consolidado das Cataratas uma nova dimensão cultural que atraia públicos nacionais e internacionais ao longo de todo o ano, reforçando a economia local e ampliando a visibilidade global da cidade.
Fonte:: cultura.pr.gov.br


