Estudo do Tecpar e UFPR revela potencial farmacêutico da própolis azul

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

Um novo estudo realizado em colaboração entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) sobre a própolis azul destacou suas semelhanças químicas com outras variedades de própolis amplamente utilizadas na indústria farmacêutica. Os resultados sugerem um vasto potencial para novos usos desse produto no estado do Paraná.

A pesquisa, intitulada “Caracterização química e atividades antimicrobianas e citotóxicas da própolis azul: Um estudo comparativo com própolis verde e vermelha”, foi defendida pelo mestrando Vitor Luis Fagundes no programa de pós-graduação em ciências farmacêuticas da UFPR. Este trabalho é pioneiro ao indicar, pela primeira vez, que a própolis verde e a própolis vermelha, ambas produzidas por abelhas da espécie Apis melífera, compartilham uma composição química e uma ação farmacológica similar à própolis azul, que é produzida por abelhas sem ferrão.

Dentre suas características, a própolis azul se destaca por ser extraída de uma espécie de abelha que possui manejos mais simples. Além disso, esse tipo de própolis possui um alto valor agregado, o que pode resultar em um significativo retorno financeiro para os produtores.

Renato Rau, pesquisador do Tecpar e coordenador do projeto de meliponicultura em Morretes, no Litoral do Paraná, reforça que a investigação em parceria com a UFPR evidencia o potencial comercial da própolis azul. “A própolis azul possui propriedades medicinais que podem atuar em várias vertentes, incluindo ações antimicrobianas, anti-inflamatórias, antiparasitárias, antivirais e antitumorais. Também é um importante aliado para fortalecer o sistema imunológico. Seus efeitos superam consideravelmente os apresentados por outras variedades de própolis”, explica Rau.

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Diferenciais da pesquisa

O pesquisador ainda detalha que, como resultado desse estudo, tanto o Tecpar quanto a UFPR buscarão identificar a molécula “tipificadora” da própolis azul, de forma similar à que a Artepillin C representa para a própolis verde. Essa molécula serve como uma “assinatura química” do produto. “Com essa identificação, juntamente com outras pesquisas, pretendemos iniciar testes farmacológicos que comprovem as ações terapêuticas da própolis azul, com vistas à produção de medicamentos e ao registro junto aos órgãos reguladores”, complementa Rau.

Vitor Luis Fagundes enfatiza que os resultados da pesquisa demonstraram a efetividade biológica da própolis azul, assim como as outras variedades. O estudo revelou que a atividade antibacteriana da própolis azul foi mais eficaz do que a observada nas própolis verde e vermelha. “A parceria com o Tecpar foi essencial, pois Renato Rau reconheceu a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a própolis azul, disponibilizando as amostras necessárias e colaborando constantemente durante a pesquisa”, destaca Fagundes.

Impactos para a região

O Tecpar, em colaboração com a prefeitura de Morretes, já treinou mais de 50 agricultores da região para desenvolver a cadeia produtiva da própolis azul e distribuiu mais de 100 caixas de abelhas na localidade. O objetivo dessa iniciativa é aumentar a renda das famílias de agricultores e fortalecer o desenvolvimento regional por meio da implementação de meliponários e da promoção de uma rede produtiva para própolis, colmeias e caixas apropriadas.

Celso Kloss, diretor de Novos Negócios e Relações Institucionais do Tecpar, revela que a intenção é expandir o projeto para outras cidades litorâneas. “Nosso próximo passo é selecionar famílias da zona rural de sete municípios litorâneos do Paraná para participar do projeto, que envolve colmeias de abelha mandaçaia”, afirma Kloss. “Esse é um exemplo do impacto social que estamos buscando, pois também pretendemos explorar novos produtos que sejam à base de mel e própolis. Essa ação ilustra o compromisso do Tecpar, um instituto de ciência e tecnologia do Governo do Estado, em utilizar a pesquisa científica como motor de desenvolvimento”, conclui.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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