Programa de Irrigação Sustentável entra em nova fase com aquisição de torres de fluxo

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

O programa IrrigaSIM, coordenado pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), avançou nesta quinta-feira (21) com a aquisição de cinco torres de fluxo, que serão instaladas em áreas do Noroeste do Paraná. Este passo é parte de um esforço para otimizar a irrigação e enfrentar os desafios climáticos da região.

Essas torres de fluxo desempenham um papel fundamental ao medir continuamente a troca de gases, como vapor d’água e dióxido de carbono, além de monitorar o calor entre a vegetação e a atmosfera. Com essas informações, é possível calcular a evapotranspiração real das lavouras, um conceito que se refere à transferência de água da superfície da Terra para a atmosfera na forma de vapor. O investimento total na compra dessas torres é superior a R$ 10 milhões, oriundo da Fundação Araucária e viabilizado em parceria com o IDR- Paraná.

O diretor de Gestão de Negócios do IDR-PR, Richard Golba, enfatizou a importância das parcerias estabelecidas para a criação da Lei de Segurança Hídrica, que apoia as iniciativas do IrrigaSIM. Golba ressaltou: “Nossa expertise é formar alianças e buscar parcerias. Isso é resultado de intensos debates e estudos, sendo uma iniciativa legítima do governador Ratinho Junior, que tem pressionado para que essas ações sejam levadas ao campo”.

O início do Projeto

O projeto começou em 2024, contando com a colaboração da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Paraná. A Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial também passou a integrar a equipe do projeto. Pesquisas e visitas técnicas já foram realizadas na região Noroeste do Paraná, que, segundo o Simepar, é a área do estado que mais sofre com a seca. A estiagem durante a safra de 2021/2022 resultou em uma diminuição acentuada na produção de soja. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), entre 2000 e 2021, a seca foi o principal evento climático responsável por perdas na agricultura.

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“Em nosso estado, mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) é proveniente do agronegócio. Mais de 14% dos grãos produzidos no Brasil têm origem no Paraná. Portanto, a irrigação sustentável é crucial, pois a água é um bem essencial que precisa ser bem utilizado para garantir resultados satisfatórios e promover a sustentabilidade em nosso estado”, afirmou Coronel Puchetti, chefe do Centro Estadual de Desburocratização da Casa Civil, que trabalhou na integração entre as instituições para viabilizar essa iniciativa.

Paulo de Tarso, diretor presidente do Simepar, acrescentou: “Este trabalho é fruto de dois anos de pesquisa e de fortalecimento das relações institucionais para que o Paraná se torne um exemplo em irrigação. Além do estudo em si, esse projeto também resultará na capacitação de profissionais capazes de gerenciar o sistema de irrigação no estado”.

Etapas do Projeto

Os estudos realizados irão classificar as áreas agroclimáticas do Paraná, identificando locais adequados para irrigação de culturas como soja, milho e feijão. A equipe do Simepar, composta por quatorze pesquisadores, ficará responsável por essa tarefa. Assim que as torres de fluxo forem instaladas e calibradas, elas começarão a coletar dados micrometeorológicos em campo, permitindo que sejam modeladas variáveis hidrológicas em softwares especializados. Dentre essas modelagens, estarão a evapotranspiração, o ajuste do coeficiente de cultura e a medição da infiltração do solo.

Os modelos ajudarão a determinar as melhores taxas de irrigação para diferentes métodos. Imagens de drones serão utilizadas para analisar o fluxo de carbono, mensurar a quantidade de carbono no solo e monitorar a emissão de gases de efeito estufa, validando os dados colhidos pelas torres de fluxo. A integração das informações ambientais, hidrológicas e de balanço de carbono será feita em uma plataforma de Inteligência Artificial, que auxiliará na tomada de decisões em relação ao manejo da irrigação. Esse trabalho busca otimizar o uso da água e do solo, reduzir as emissões de Gases de Efeito Estufa e promover a sustentabilidade agrícola no estado.

Cinco áreas serão monitoradas durante as diferentes fases do cultivo, com plantios em outubro/novembro e colheitas programadas para março/ abril; além de outras culturas com plantios em março/abril e julho/agosto. Os dados preliminares indicam uma redução de até 30% no consumo de água na agricultura, que pode resultar em grandes benefícios para os produtores da região.

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Christofer Neale, diretor do Water For Food, instituto de Nebraska que orienta os trabalhos, comentou sobre o andamento do projeto: “Muitas reuniões técnicas foram realizadas para consolidar os próximos passos. Agora, com o lançamento oficial do projeto e a liberação do orçamento, podemos prosseguir com o cronograma, que inclui a aquisição das torres e a modelagem do uso de água e evapotranspiração”.

Proximidade com a Inovação

A colaboração com a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial será fundamental para desenvolver o sistema de gerenciamento dos dados coletados durante o projeto. Marcos Stamm, secretário de Inovação e Inteligência Artificial, ressaltou: “Este projeto foi criado com a determinação do governador Ratinho Júnior em garantir segurança hídrica em nossas lavouras, assegurando que a força do nosso estado na agricultura seja mantida. Sabemos que a Inteligência Artificial tem um papel importante nesse cenário”. A reunião também contou com a presença do professor João Carlos Bespalhok Filho, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que está capacitando alunos para atuarem no projeto, além de Raul Alberto Marcon, coordenador de Gestão de Recursos Hídricos na Sanepar, que supervisiona a implementação de cada etapa da pesquisa.

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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