
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (22) que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, continuará detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas será transferido de uma cela comum para uma sala de estado-maior. Essa mudança ocorre após a rejeição de um acordo de delação premiada por parte da Polícia Federal.
Desde março deste ano, Vorcaro estava em custódia na mesma unidade em que o ex-presidente Jair Bolsonaro permaneceu antes de ser colocado em regime de prisão domiciliar. Na sala de estado-maior, o banqueiro mantinha a liberdade de se reunir com seus advogados, que estavam elaborando um acordo de delação que foi entregue à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) no início de outubro.
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Após a proposta de delação ser recusada, Vorcaro foi realocado para a carceragem da PF, que abriga os presos à espera de uma possível transferência para um presídio. A defesa do banqueiro solicitou sua transferência para a Papudinha, local que oferece melhores condições e abriga os indivíduos condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023, entretanto, o pedido foi negado por Mendonça, que optou pela manutenção do banqueiro na sala especial.
No dia 4 de março, Vorcaro foi preso como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), que é uma instituição pública vinculada ao Governo do Distrito Federal (GDF).
Delação
Com a decisão de manter Vorcaro em uma sala especial dentro da superintendência, o ministro Mendonça considerou o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que continua em conversas acerca de um acordo de delação com o banqueiro. A PGR justificou que a estadia de Vorcaro em uma cela comum poderia expô-lo a riscos de vulnerabilidade, além da alta visibilidade midiática que o caso atrai.
O ministro ressaltou que, apesar de a nova acomodação estar dentro do mesmo complexo de custódia, ela não representava um obstáculo significativo para as operações da Polícia Federal. “Considerando a informação de que o alojamento se situa no mesmo complexo, tratando-se de acomodações contíguas, também não se verifica, ao menos nesta análise, prejuízo operacional concreto e insuperável à Polícia Federal para a manutenção do requerente no local até então ocupado”, argumentou Mendonça.
Embora a decisão tenha sido recebida com expectativa pelos envolvidos, a continuidade das negociações sobre a delação premiada de Vorcaro permanece incerta, especialmente após a recusa anterior da PF em aceitar a proposta apresentada.
A situação é monitorada de perto pelas autoridades e a expectativa sobre o desdobramento do caso permanece alta, à medida que informações adicionais sobre as investigações e a condição de Vorcaro na PF se tornam disponíveis, refletindo a complexidade do tema envolvendo fraudes financeiras e possíveis conivências no setor bancário.
O desfecho deste caso poderá ter implicações significativas não apenas para o banqueiro, mas também para todo o sistema financeiro brasileiro, uma vez que as investigações buscam elucidar questões sobre a solidez e a transparência das operações financeiras realizadas no Brasil.
Matéria ampliada às 17h08
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br


