Brasil precisa focar nas aplicações de IA, defende Carlos Baigorri, da Anatel

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Roberta Prescott Mande um e-mail

Brasil deve priorizar desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial, afirma Carlos Baigorri, da Anatel

Carlos Baigorri, presidente da Anatel, ressaltou a importância de fechar a lacuna no uso das telecomunicações e posicionar o Brasil de forma relevante no desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial. Durante sua participação no GSMA Digital Nation Summit, realizado em São Paulo no dia 30 de junho, Baigorri defendeu que essas são metas essenciais para que o País se destaque em 2030. “Cumprido o desafio de expandir a rede de telecomunicações para áreas antes desprovidas, agora é fundamental criar um modelo econômico robusto e desenvolver soluções de engenharia, além de estabelecer regras, obrigações e regulamentos que garantam que a rede chegue efetivamente ao usuário”, afirmou.

Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua) — TICs, o número de pessoas com acesso à internet no Brasil cresceu em 6,1 milhões nos últimos dois anos, alcançando 89,1% da população com 10 anos ou mais em 2024. Para efeito de comparação, em 2019, a taxa era de 79,5%, e em 2016, no início da série histórica, apenas 66,1% dos brasileiros tinham acesso à internet.

Frente a essa crescente penetração da conectividade, Baigorri refletiu sobre os motivos que levam algumas pessoas a não utilizarem o serviço. Ele mencionou que os dados da PNAD indicam que muitos cidadãos têm acesso à internet em casa, mas não contratam o serviço. As razões podem ser a falta de entendimento sobre a utilidade da internet ou a crença de que não necessitam dela. “Se a pessoa não sabe para que serve ou acredita que não precisa, é um sinal de que ela não compreende seu valor essencial”, disse.

Além de desenvolver habilidades digitais, Baigorri destacou a importância do acesso a dispositivos 5G, cuja alta gama de preços é um obstáculo. “Embora 70% da população não tenha acesso ao 5G standalone, metade dos smartphones vendidos ainda são apenas 4G. Isso acontece porque os modelos 4G são significativamente mais acessíveis, fazendo com que a preferência recai sobre esses aparelhos”, observou. Ele enfatizou que a verdadeira barreira para a adoção do 5G no Brasil não está na infraestrutura de telecomunicações, mas sim na demanda dos consumidores.

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Sobre o avanço do mercado de inteligência artificial, Baigorri expressou sua opinião de que o Brasil poderá ser competitivo nas aplicações dessa tecnologia. “Embora não tenha certeza se seremos competitivos na fabricação de GPUs ou na construção de data centers, estou convicto de que podemos ser fortes nas aplicações, que são as interações que os cidadãos terão. Hoje, a maioria do valor está concentrado nas aplicações”, justificou, citando o exemplo de consumidores que, ao adquirir um smartphone 5G, acabam investindo em serviços como Netflix, Mercado Livre e Amazon Prime.

“O que realmente traz valor para as pessoas e empresas não é somente a tecnologia de LLM ou a GPU da Nvidia, mas as aplicações que podem ser desenvolvidas com base nessa tecnologia. E aqui, a barreira de entrada é quase inexistente”, continuou Baigorri. Para que isso aconteça, é fundamental estimular a criatividade e o espírito empreendedor que ajudem a desenvolver aplicações que realmente impactem a sociedade. “Se conseguirmos liberar essa criatividade e incentivar o empreendedorismo, o Brasil poderá emergir como um jogador significativo no mercado de inteligência artificial”, concluiu.

Fonte: convergenciadigital.com.br

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