Governo israelense reforça negativa a acordo para Faixa de Gaza respaldado pelos Estados Unidos

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou neste domingo, 9, a sua total oposição ao plano internacional para a Faixa de Gaza que conta com o apoio dos Estados Unidos e do grupo Hamas. Durante uma reunião ministerial, o premiê foi enfático ao assegurar que as Forças de Defesa de Israel não vão desocupar a região palestina até que os extremistas do Hamas estejam completamente desarmados.

“Israel rejeita o documento de 15 pontos. As Forças de Defesa de Israel não realizarão nenhuma retirada até que o Hamas esteja realmente desarmado e continuarão neutralizando as ameaças contra nossas forças e nossos cidadãos”, declarou Benjamin Netanyahu perante o seu gabinete de governo.

Em contrapartida, lideranças do grupo palestino manifestaram expectativa de que a administração norte-americana atue para demover o governo israelense de sua posição. Em declaração à agência de notícias AFP, Basem Naim, integrante do bureau político do Hamas, pontuou que o movimento aguarda uma postura firme dos mediadores dos Estados Unidos.

“Esperamos que os mediadores e o garante norte-americano pressionem Netanyahu e seu governo para que sigam o roteiro e não obstruam o processo por motivos políticos internos e eleitorais”, pontuou Basem Naim ao comentar os impasses nas negociações.

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O plano em questão consiste na fase derradeira de uma proposta de cessar-fogo articulada pelos norte-americanos e divulgada em outubro passado. Embora a iniciativa tenha provocado uma diminuição nos confrontos, ela não foi suficiente para paralisar por completo as operações militares de Israel na Faixa de Gaza. O texto original estabelece que o Hamas entregue seu arsenal a uma nova administração palestina em formação, prevendo uma retirada militar israelense de forma concomitante ao desarmamento, ponto rechaçado por Tel Aviv.

A postura oficial de Israel é de que o grupo extremista precisa efetivamente eliminar todo o seu aparato bélico. Na semana passada, após encontros com Benjamin Netanyahu, a Junta de Paz — comitê norte-americano encarregado de supervisionar a execução do pacto — modulou sua posição anterior e passou a indicar que a desocupação israelense só aconteceria após a consumação de um desarmamento total.

Enfrentando um cenário político complexo e disputas acirradas para preservar sua sustentação no poder, o primeiro-ministro tem lidado com pressões intensas vindas de aliados situados na extrema direita, os quais exigem uma nova deliberação no gabinete para abortar definitavamente os termos do plano voltado para Gaza.

Apesar das divergências públicas, o premiê israelense confirmou que mantém canais de diálogo abertos com Washington para expor as contestações de seu governo. “Eles têm ideias; algumas são aceitáveis para nós e outras não, e sabemos como nos manter firmes nessas questões”, avaliou. Ao mesmo tempo, Benjamin Netanyahu reiterou que a exigência de entrega integral das armas pelo Hamas permanece inegociável, embora integrantes do Conselho de Paz vejam tal meta com ceticismo devido à complexidade do cenário no enclave palestino.

Fonte:: estadao.com.br

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