Gustavo petro aponta suposta fraude e alerta sobre risco de conflito interno na Colômbia

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O atual presidente da Colômbia, Gustavo Petro, veio a público recentemente para afirmar que possui evidências concretas de irregularidades e fraude durante o processo eleitoral que culminou na vitória do presidente eleito, Abelardo de la Espriella. Próximo do fim de sua gestão, Petro classificou a vitória de seu sucessor como ilegítima e chegou a declarar que a cerimônia de posse poderá empurrar a nação sul-americana para um cenário de grave conflito armado interno.

Aos 48 anos de idade, Abelardo de la Espriella tem data marcada para assumir o comando do Executivo colombiano na próxima sexta-feira, dia 7. A solenidade ocorrerá de forma inédita em Cali, perante o Poder Legislativo, rompendo com uma tradição que já dura mais de um século de realizar a transmissão do cargo na capital, Bogotá, diante do Congresso Nacional.

Crise institucional e acusações de manipulação externa

Durante pronunciamento oficial realizado no Palácio Presidencial, situado em Bogotá, na última segunda-feira, dia 3, o chefe de Estado enfatizou que a Colômbia atravessa um momento de profunda instabilidade institucional. Na ocasião, ele reforçou a gravidade do cenário político atual e cuestionou a legitimidade da transição de poder.

De acordo com as declarações do mandatário, o segundo turno do pleito foi alvo de uma manipulação descrita por ele como uma “fraude eleitoral algorítmica, sistemática e em grande escala”. Petro argumenta que o esquema teria sido arquitetado no exterior com o objetivo deliberado de prejudicar a candidatura do representante governista, Iván Cepeda. Embora tenha mencionado o envolvimento de recursos e companhias estrangeiras na suposta interferência sobre o resultado das urnas, o presidente não tornou públicos os documentos ou detalhes comprobatórios de suas alegações.

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O contexto geopolítico também foi mencionado por Petro. Antes da realização da votação, Abelardo de la Espriella recebeu manifestações públicas de apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder colombiano, que frequentemente critica a atuação de Washington na política interna do país, levantou a suspeita de que o futuro governo possa articular um pedido formal de extradição contra ele utilizando acusações infundadas.

Aumento da tensão social e ameaça de guerra civil

Diante do descontentamento de parcelas expressivas da população com as diretrizes e propostas da futura administração, o presidente alertou para a possibilidade de uma deterioração drástica da segurança pública. Para ele, o descontentamento popular somado à polarização pode gerar o ambiente propício para o desencadeamento de um conflito de proporções nacionais.

Como reflexo direto desse clima de polarização, os parlamentares da bancada de esquerda no Congresso, sob a liderança de Iván Cepeda, comunicaram que não comparecerão à cerimônia de posse de Abelardo de la Espriella. Além do boicote institucional, o grupo político convocou atos de protesto para a próxima sexta-feira em cidades estratégicas como Bogotá, Cali e Barranquilla.

Por outro lado, setores da oposição de direita manifestam forte preocupação de que os protestos convocados possam degenerar em episódios de violência generalizada. O temor faz referência direta aos tumultos ocorridos entre os anos de 2019 e 2021, durante a gestão do ex-presidente Iván Duque, quando manifestações que contaram com o apoio de Petro resultaram em confrontos intensos e dezenas de mortes em território colombiano.

Fonte:: estadao.com.br

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