Programa Black STEM premia jovens negros do Rio e da Bahia para estudo internacional

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: © Thalita Guimarães

O sonho de cursar uma graduação no exterior tornou-se realidade para três estudantes brasileiros selecionados pelo programa Black STEM, desenvolvido pelo Fundo Baobá. A iniciativa, voltada para a promoção da equidade racial nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, concedeu uma bolsa de R$ 42 mil a cada participante para garantir a permanência em instituições internacionais de ensino. Os jovens embarcam no próximo mês de setembro.

A semana foi marcada pelo evento de acolhimento aos contemplados, que agora se preparam para dar início a uma nova etapa acadêmica e cultural longe do Brasil:

  1. Caio Ramos cursará Design no Dubai Institute of Design and Innovation (Didi), localizado nos Emirados Árabes Unidos;
  2. Quezia Fernanda ingressará no curso de Engenharia Elétrica na Universidade de Jaén, na Espanha;
  3. João Vitor frequentará as aulas de Ciência da Computação na Northwestern University, nos Estados Unidos.

Projeto premia estudantes com bolsa para continuidade de estudos no exterior. Foto: Thalita Guimarães

Trajetória e superação no Rio de Janeiro

Aos 23 anos, Caio Ramos é morador de Irajá, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. Sua escolha pelo Didi, em Dubai, surgiu após o encanto gerado por uma viagem em família ao emirado. No entanto, o caminho até a aprovação exigiu resiliência diante de adversidades severas.

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Em 2020, com a chegada da pandemia de covid-19, o estudante ficou um ano inteiro sem aulas devido à falta de infraestrutura de ensino online em sua escola. No mesmo período, seu pai começou a manifestar os primeiros sintomas de Alzheimer e Parkinson. Com o avanço das doenças degenerativas e a impossibilidade de manter os cuidados médicos e profissionais na rede particular, Caio precisou ingressar no mercado de trabalho em 2022 para auxiliar nas despesas domésticas.

A rotina intensa impactou o ingresso imediato no ensino superior, mas a determinação em buscar oportunidades internacionais permaneceu firme. “Estar no Black STEM é uma vitória minha, mas eu sei também que é uma vitória das pessoas que vão se identificar comigo e que passam pelas mesmas coisas”, declarou o jovem.

Oportunidade na Espanha

Natural de Rio das Ostras, no estado do Rio de Janeiro, Quezia Fernanda, de 19 anos, construiu sua base acadêmica no ensino médio técnico em automação industrial cursado no Instituto Federal Fluminense.

A oportunidade de estudar na Europa surgiu justamente por meio da conexão entre sua instituição de ensino e a Faculdade de Jaén, na Espanha, o que transformou em realidade uma aspiração considerada distante. Durante um bate-papo mediado pela jornalista Adriana Couto no evento de boas-vindas, a estudante detalhou seu interesse pela área tecnológica.

“Vindo de Macaé, capital do petróleo no Brasil, sei bem como a área da energia é fundamental. Vi na engenharia elétrica a possibilidade de iniciar um estudo e futuramente quero poder me aprofundar na área sustentável”, pontuou Quezia.

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Computação e conexões comunitárias

Representando o estado da Bahia, João Vitor é originário de Cruz das Almas. Desde a infância, demonstrava facilidade com a tecnologia e curiosidade pela manutenção de computadores, aptidões que se fortaleceram ao ingressar no Instituto Federal para cursar informática.

Crescido no Recôncavo Baiano, o estudante conviveu proximamente com lideranças negras e comunidades quilombolas. A escolha pela Northwestern University, nos Estados Unidos, consolidou-se após descobrir que a instituição contava com a presença de Jean, um acadêmico brasileiro de origem quilombola.

“Por ter tanta proximidade com as comunidades quilombolas, tenho um carinho enorme por aquelas lideranças que me ajudaram, que me aconselharam e que abriram as portas para mim”, afirmou João Vitor.

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Rede de suporte e permanência internacional

Mais do que o aporte financeiro destinado a cobrir custos de moradia, transporte, alimentação e aquisição de material didático, o programa assegura suporte contínuo por meio de mentorias de carreira, workshops, inserção em redes de lideranças negras e acompanhamento psicológico especializado.

Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá, ressaltou que a assistência integral é um fator determinante para que os bolsistas consigam se adaptar e concluir suas formações no exterior sem prejuízos emocionais.

“Você tem aluno que saiu da Bahia, de Fortaleza e foi para longe da família. Há solidão e questões de saúde mental, que aparecem bastante entre os mais jovens. Não é somente dar o dinheiro. Tem que oferecer rede de apoio, de suporte”, explicou o diretor.

A proposta institucional visa fortalecer a autoconfiança da população negra, estimulando a ocupação de espaços de relevância acadêmica e profissional em âmbito global.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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