Uma série de terremotos atingiu a Venezuela na quarta-feira, 24, causando grandes danos em diversas cidades litorâneas e na capital do país, Caracas. Com uma magnitude de 7,5, o tremor ocorreu por volta das 19h04 (horário de Brasília) e resultou no desabamento de casas e edifícios em um curto espaço de tempo.
Matheus Mascarenhas, um jovem brasileiro de 20 anos, estava a caminho de um bar em Caracas, onde pretendia assistir ao jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo, quando presenciou o colapso de dois prédios que foram diretamente afetados pelo terremoto.
Segundo Matheus, ao caminhar pela rua no bairro de Altamira, uma das áreas mais afetadas da capital, ele sentiu os tremores antes que os prédios começassem a sucumbir. Ele relata que se apressou em direção a uma praça aberta, onde muitos outros venezuelanos também procuraram abrigo dos escombros que se acumulavam nas ruas.
“Eu me senti como se estivesse com vertigem. Eu dei um passo pra trás e o chão afundou. Quando virei meu corpo em direção ao prédio que estava ao meu lado ele, de fato, caiu em pedaços. Corri para essa praça e, mesmo lá, ainda senti alguns tremores”, contou Mascarenhas.
Matheus, que é estudante de economia na Universidade de Yale, está em Caracas participando de um programa de intercâmbio de trabalho na Organização das Nações Unidas (ONU).
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, declarou que o tremor foi sentido em vários estados. No bairro de Altamira, onde Mascarenhas se encontrava, foram relatadas “situações alarmantes”, com várias edificações desmoronando. Cabello também mencionou que houve feridos e solicitou que os motoristas dessem passagem às ambulâncias e veículos de emergência.
Embora a capital não tenha registrado uma queda generalizada de energia, várias operadoras de telefonia móvel enfrentaram problemas, e muitas linhas telefônicas residenciais também deixaram de funcionar em algumas áreas.
A formação de aglomerações nas ruas é evidente, à medida que as pessoas tentam fugir de estruturas que podem ter sido comprometidas pelo tremor. Mascarenhas observou a presença de um grande contingente de agentes de segurança, contudo, ele destacou que a comunicação e as orientações para a população estavam confusas. “Não está muito organizado, nós não sabemos o que está acontecendo e a rua se transformou em uma zona de caos”, comentou.
Com o alerta de calamidade emitido na capital, a população que saiu de suas casas lota as ruas e praças. Nos supermercados da região, já se formam filas significativas para a aquisição de itens de emergência.
Os tremores foram sentidos também em países vizinhos, como Colômbia e Brasil, totalizando dois eventos sísmicos. O primeiro foi registrado com magnitude de 7,2, tendo seu epicentro próximo a San Felipe, a uma profundidade de 21,9 km. O segundo tremor, de 7,5, ocorreu poucos segundos depois, com epicentro localizado próximas a Yumare e a apenas 10 km de profundidade.
Até o momento, não existem registros oficiais do número de vítimas do evento sísmico, mas o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou que o total de mortos pode variar entre 10 mil a 100 mil nas áreas impactadas.
“Eu comecei a me questionar se realmente tinha visto dois prédios desabando. Eu pensei ‘não é possível’, pois as outras construções ao redor estavam intactas. Mas então voltei e realmente vi que eles estavam no chão. Foi uma sensação de incredulidade com o que estava acontecendo”, relatou Mascarenhas.
Fonte: estadao.com.br


