Brasil registra saldo positivo de vagas formais e taxa de desemprego cai

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Fernando Frazão/Agência Brasil

O mercado de trabalho formal brasileiro registrou a criação de mais de 165 mil postos de trabalho com carteira assinada durante o mês de agosto. Os números oficiais, que fazem parte do levantamento do Novo Caged, foram divulgados nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho e superaram em aproximadamente 70 mil vagas as expectativas estimadas pelo mercado financeiro para o período.

De acordo com o balanço, a proporção foi de 108 contratações para cada 100 demissões efetuadas no país. Apesar do resultado positivo, o indicador representa o segundo patamar mais baixo registrado para o mês de agosto desde o ano de 2020, marco inicial da atual série histórica da pesquisa.

Fatores econômicos e resiliência

Ao avaliar o desempenho econômico, o ministro do Trabalho em exercício, Chico Macena, apontou que o ritmo menos acelerado nas contratações reflete os impactos dos juros elevados e de medidas protecionistas internacionais, como o chamado tarifaço americano.

“Eu acho que é um mercado que está se demonstrando resiliente. Continua com um crescimento, continua gerando novos postos de trabalho, continua, inclusive, com a expectativa de crescimento do PIB, não da forma como se tinha expectativa, mas com uma tendência ainda de crescimento”, declarou o representante da pasta.

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A análise setorial indica que todos os cinco grandes setores econômicos apresentaram saldo positivo de vagas. O setor de serviços destacou-se ao responder por dois em cada três postos abertos ao longo do mês. O comércio, que havia amargado perdas no mês anterior, recuperou o fôlego e voltou a registrar mais admissões do que desligamentos.

Em termos geográficos, 24 dos 27 estados brasileiros fecharam agosto com saldo positivo na geração de empregos. Os maiores destaques em volume de novas vagas ficaram com São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. O levantamento também apontou que o salário médio de admissão no país se estabeleceu em R$ 2.410.

Balanço acumulado e impacto do consumo

No acumulado dos primeiros oito meses do ano, o país contabilizou a abertura de mais de 1,13 milhão de vagas formais. O volume representa uma retração de 25% em comparação com o mesmo período do ano passado, configurando o resultado mais modesto desde 2020, ano fortemente marcado pelos impactos iniciais da pandemia de covid-19.

Durante a apresentação dos dados, ao comentar a retomada das atividades no setor comercial, o ministro chamou a atenção para a destinação de recursos das famílias brasileiras para o setor de apostas online.

“São R$ 62,5 bilhões que as famílias deixaram de utilizar para suas despesas, para o comércio, para manter a alimentação em casa, e foram migrados para as apostas. A nossa expectativa é que uma parte disso seja utilizada, inclusive, para pagamento de dívidas”, pontuou o ministro.

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Retrato do IBGE aponta desemprego em baixa

Em complementação ao cenário do emprego formal, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada na mesma terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trouxe novos indicadores sobre a ocupação da população brasileira. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, alcançando o menor patamar para este período específico desde o início da série histórica em 2012.

O levantamento aponta ainda que cerca de 103,5 milhões de pessoas estavam ocupadas no país, o maior patamar já documentado desde o início da série, há 14 anos. Diferentemente do Caged, que contabiliza exclusivamente os vínculos formais com carteira assinada regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, a metodologia do IBGE abrange também os trabalhadores inseridos no mercado informal.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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