Cancelada a Marcha do Orgulho Trans em São Paulo

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

A Marcha do Orgulho Trans, evento que tem sido realizado anualmente desde 2018 no centro da capital paulista, não ocorrerá em 2026. O Instituto SSEX BBOX, responsável pela organização da marcha, anunciou a decisão em um comunicado à imprensa na última sexta-feira (31).

No comunicado, o Instituto explicou que a escolha de não organizar mais a Marcha do Orgulho Trans representa um momento significativo de transformação para a instituição. A alteração no cenário da comunidade trans ao longo dos últimos nove anos, além das necessidades e desejos que evoluíram, contribuíram para essa decisão.

A marchava costumava acontecer na mesma semana da tradicional Parada do Orgulho LGBT+, que neste ano está agendada para o próximo domingo (7). O Instituto SSEX BBOX informou também que abrirá inscrições para que outros grupos possam se candidatar a organizar o evento nos anos seguintes.

“Atualmente, a Marcha coexiste com outros eventos liderados por pessoas trans, que também são importantes para a celebração da nossa comunidade em sua total diversidade”, destacaram representantes do Instituto no comunicado.

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Desafios Financeiros

Recentemente, Lyon Adryan Ror, fundador do SSEX BBOX, conversou com a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, sobre as dificuldades financeiras enfrentadas pelo evento, resultantes da diminuição dos patrocínios. Ele afirmou que a diminuição do apoio de empresas norte-americanas a eventos LGBTQIA+ ocorreu desde a ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos.

“O ecossistema de investimento e patrocínio que apoia iniciativas LGBTQIA+ sofreu mudanças significativas nos últimos anos, impactando diversas organizações, projetos culturais e iniciativas independentes, incluindo o SSEX BBOX”, declarou Ror à colunista.

Além da Marcha do Orgulho Trans, a Parada do Orgulho LGBT+ também está enfrentando dificuldades semelhantes em relação aos patrocínios. Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP), informou à Agência Brasil que a receita obtida com patrocinadores caiu 60% neste ano, o que prejudicou tanto a organização da Parada quanto as ações sociais e culturais promovidas pela associação.

“Neste ano, contaremos apenas com dois patrocinadores, enquanto em anos anteriores tínhamos seis grandes empresas apoiando o evento. Reconheço que é um ano complicado, com a Copa e o cenário político, mas essa redução nos patrocínios já vem se desenhando há um tempo”, comentou Pereira.

Atrações do Evento

Para a edição deste ano da Parada do Orgulho LGBT+, estão confirmadas as presenças de artistas renomados, como Gloria Groove, Pepita, Diego Martins e Melody. Alguns desses artistas manifestaram a intenção de abrir mão de seus cachês para fortalecer a manifestação e apoiar a causa.

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Com o tema “30 Anos Parada SP: A Rua Convoca, a Urna Confirma”, a Parada deste ano buscará promover reflexões sobre mobilização popular, participação política e a importância da ocupação das ruas como espaços democráticos de cidadania, diversidade e visibilidade para a comunidade LGBT+.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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