CNJ aprova contracheque único para juízes em todo o Brasil

Marcelo Borges
3 min. de leitura
Foto: © Luiz Silveira/CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tomou uma decisão importante nesta terça-feira (26), ao aprovar, de forma unânime, uma resolução que exige a adoção de um contracheque unificado para o pagamento dos vencimentos dos juízes em todo o território brasileiro.

A proposta foi apresentada pelo presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, e tem como objetivo aumentar a transparência nas finanças e facilitar a fiscalização das verbas indenizatórias pagas pelos tribunais, que frequentemente são chamadas de “penduricalhos”. Essa iniciativa surge em um contexto de maior rigor por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), que, no último dia 25 de março, limitou o pagamento de certas indenizações que estavam fora dos parâmetros constitucionais.

Rigor nas Indenizações

De acordo com a decisão do STF, as indenizações adicionais, gratificações e auxílios concedidos aos magistrados não podem ultrapassar 35% do salário de um ministro do Supremo, que atualmente é de R$ 46,3 mil. Desta forma, a soma total que juízes, promotores e procuradores podem receber mensalmente chega a R$ 62,5 mil, quando somados ao teto e R$ 16,2 mil em penduricalhos.

Com a nova resolução aprovada pelo CNJ, os tribunais ficam expressamente proibidos de processar contracheques ou folhas de pagamento suplementares, exceto aquelas que se referem ao pagamento regular dos salários. A intenção é simplificar o processo e garantir que todos os pagamentos sejam realizados de maneira clara e direta.

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Objetivos da Nova Resolução

Durante a sessão de votação, o ministro Fachin ressaltou que a prática de fragmentar os pagamentos em múltiplos contracheques pode comprometer o modelo constitucional vigente, além de dificultar a verificação do cumprimento do teto remuneratório. “O que se paga com dinheiro público não pode se esconder em múltiplas folhas”, afirmou Fachin, defendendo a necessidade de um contracheque único para cada magistrado.

A nova norma também unifica todas as rubricas, que são os termos utilizados para identificar as verbas indenizatórias pagas pelos tribunais em todo o Brasil. O conselheiro Cassio Lisandro Telles, que representa o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), comentou que essa medida foi urgente, uma vez que o CNJ não conseguia contabilizar quantas rubricas eram utilizadas pelos tribunais devido à grande variedade de títulos que geravam esses adicionais.

Apelo por Transparência

Telles declarou que essa situação representa uma distorção que precisa ser resolvida para que haja total transparência nas contas públicas. “A proliferação desses títulos é preocupante e não pode continuar”, destacou o conselheiro, enfatizando a importância da nova regra aprovada.

Esta decisão marca um passo importante na tentativa de garantir maior clareza nos gastos públicos e um controle mais rigoroso das verbas pagas aos integrantes do Judiciário, reafirmando o compromisso da justiça brasileira com a transparência e a responsabilidade fiscal.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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