Corpos de brasileira e marido mortos no Líbano ainda não foram encontrados

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Os corpos de Manal Jaafar, brasileira, e de seu marido, o libanês Ghassan Nader, que perderam a vida em um ataque israelense no último domingo, 26, no distrito de Bint Jbeil, no sul do Líbano, continuam sem localização até a terça-feira, 28. A informação foi transmitida pelo irmão de Ghassan, Bilal Nader. O casal é pai de Ali Ghassan Nader, de apenas 11 anos e também brasileiro, que faleceu durante o bombardeio.

Em uma entrevista por telefone à TV Globo, Bilal Nader explicou que a família não residia mais na casa que foi alvo do ataque, mas retornou ao local após um cessar-fogo para recuperar alguns pertences. “Como houve uma trégua e os ataques foram interrompidos, eles decidiram ir até a cidade onde está a casa para conferir o que havia lá. Olharam tudo, tomaram café da manhã e estavam organizando as malas e os itens que pretendiam levar embora”, relatou.

Ainda que, oficialmente, Israel e o grupo militante Hezbollah tivessem um cessar-fogo implementado em 17 de abril, uma extensão foi anunciada para três semanas adicionais por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Contudo, na prática, os confrontos entre os dois lados continuam a ocorrer.

Bilal comentou que, no instante em que ocorreu o bombardeio, seu irmão e a cunhada estavam dentro da casa, enquanto os filhos estavam do lado de fora. “Meus sobrinhos foram arremessados pela explosão. O menor não sobreviveu, enquanto o mais velho está se recuperando bem”, detalhou o tio. O sepultamento de Ali Nader aconteceu na segunda-feira, 27.

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Conforme Bilal, a residência da família, com três andares, foi completamente arrasada pelo ataque. “O impacto foi tão intenso que a casa virou apenas pedaços”, ressaltou.

As mortes de Ali e Manal foram confirmadas pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil na noite da segunda-feira. Em uma nota oficial, o governo brasileiro declarou que o ataque representa mais uma violação ao cessar-fogo vigente e frisou que tais infrações já resultaram na morte de diversos civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, além de jornalistas e soldados franceses que fazem parte da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil).

“Ao expressar nossas sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reafirma sua contundente condenação a todos os ataques realizados durante o período do cessar-fogo, tanto pelas forças israelenses quanto pelo Hezbollah”, informou o Itamaraty.

A Embaixada do Brasil em Beirute está em contato com a família das vítimas para fornecer assistência consular necessária, incluindo o cuidado do filho que se encontra hospitalizado.

Um levantamento da Agence France-Presse (AFP), respaldado por dados do Ministério da Saúde do Líbano, revela que, desde o início do cessar-fogo, ao menos 36 pessoas perderam a vida em decorrência de ataques israelenses.

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Logo antes do ataque que resultou na morte da família Nader, as Forças de Defesa de Israel (IDF) haviam emitido um alerta para que residentes de várias vilas no sul do Líbano deixassem suas casas, incluindo Bint Jbeil. Este aviso, no entanto, não indicava que um ataque seria realizado naquele momento.

Nesta terça-feira, as IDF afirmaram que se sentirão “forçadas a agir com rigor contra” o Hezbollah, devido ao que consideram uma “violação do acordo de cessar-fogo” por parte do grupo, e reiteraram a necessidade de evacuação das áreas mencionadas. “Qualquer pessoa que se encontre próxima a elementos do Hezbollah, suas instalações ou seus meios de combate está colocando sua vida em risco”, alertou.

Fonte: estadao.com.br

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