Irã acusa EUA de violarem cessar-fogo em meio a negociações de paz

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Navios e barcos no Estreito de Ormuz, na costa ...

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convocou uma reunião de gabinete na Casa Branca para esta quarta-feira (27), em um momento crítico das negociações entre Washington e Teerã. O objetivo é transformar o atual cessar-fogo em um acordo mais duradouro no Oriente Médio.

Apesar dos sinais de aproximação, persistem divergências em relação à redação que envolve o programa nuclear iraniano e o alívio das sanções, o que ainda impede um entendimento definitivo. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, destacou que os impasses estão relacionados a “uma palavra, uma frase”.

As negociações ganharam novo impulso com o retorno de autoridades iranianas de Doha, no Catar, nesta terça-feira (26), após o que Teerã denominou de “intensas negociações”. O processo diplomático conta com a mediação do Paquistão.

Enquanto isso, o Irã acusou os Estados Unidos de violarem o cessar-fogo, além de realizar ataques contra navios mercantes iranianos. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Washington continuou a promover “ações ilegais e injustas” desde o anúncio da trégua.

- Publicidade-

De acordo com Teerã, os EUA também teriam cometido “numerosos roubos marítimos” e realizado ataques na região de Hormozgan, no sul do Irã, nas últimas 28 horas. Essa área é estratégica, pois abriga parte do Estreito de Ormuz, uma rota fundamental para o transporte global de petróleo.

No dia 25 de novembro, o Centcom (Comando Central dos EUA) confirmou que suas forças realizaram “ataques de autodefesa” contra locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas próximos ao estreito. O porta-voz do Centcom, Timothy Hawkins, declarou: “As forças americanas realizaram ataques de autodefesa no sul do Irã para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”.

O governo iraniano considerou essas ações como uma prova de “engano e traição” por parte dos Estados Unidos durante o processo diplomático em andamento e afirmou que não deixará “nenhum ato de agressão sem resposta”.

Apesar das tensões, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou que 25 embarcações, incluindo petroleiros, cruzaram o Estreito de Ormuz no dia anterior, após coordenarem a segurança com a Marinha iraniana.

No cenário interno do Irã, o acesso à internet começou a ser parcialmente restaurado após o presidente Masoud Pezeshkian ordenar a retomada dos serviços. Contudo, de acordo com a organização de monitoramento NetBlocks, a conexão ainda não retorna completamente ao normal.

- Publicidade-

Paralelamente, a situação no Líbano também se agravou. O Ministério da Saúde libanês relatou que ataques aéreos israelenses resultaram na morte de 31 pessoas e deixaram 40 feridos nesta terça-feira, em um dos dias mais letais desde o início do cessar-fogo em abril. Entre as vítimas estão mulheres e crianças, e o governo acusou Israel de perpetrar “uma série de massacres” em várias regiões do sul do Líbano.

As Forças de Defesa de Israel afirmaram que continuam atacando “terroristas e infraestrutura do Hezbollah”, e relataram a eliminação de integrantes do grupo que estavam planejando ataques contra tropas israelenses.

Os ataques aéreos também atingiram áreas próximas ao Castelo de Beaufort, uma fortaleza medieval de quase 900 anos, considerada um dos castelos mais bem preservados da região pela Unesco. Bombardeios ocorreram em áreas adjacentes à represa de Qaraoun, que é o maior reservatório de água do Líbano.

- Publicidade-

Além das ações aéreas, Israel intensificou suas operações terrestres no sul do Líbano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que as tropas israelenses “estão operando com grandes forças em campo e capturando e controlando áreas”.

Fonte: cnnbrasil.com.br

Compartilhe esta notícia