Crise da Oi: Acionistas minoritários pedem intervenção urgente do BNDES e alertam para a venda da Oi Soluções

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

Em uma carta enviada ao presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, acionistas minoritários da Oi S.A. alertam sobre a necessidade de que o banco de fomento antecipe e administre os recursos relacionados à arbitragem com a Anatel, a fim de evitar a falência da empresa. O portal Convergência Digital publicou a íntegra do e-mail que foi encaminhado ao BNDES.

Excelentíssimo Senhor Aloizio Mercadante,

Presidente do BNDES,

Poder Executivo Federal do Brasil

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Senhor Presidente,

Como acionistas da Oi S.A., atualmente em recuperação judicial, reunimos um bloco representativo de 25.851.110 ações ordinárias (OIBR3), ou cerca de 8% do total de ações em circulação, e nos dirigimos a Vossa Excelência para expressar nossa preocupação com a crítica deterioração da situação econômica e financeira do Grupo Oi, que impacta não apenas o aspecto empresarial, mas também a dimensão social, estratégica e institucional, requerendo uma resposta urgente do Estado brasileiro.

A crise financeira da Oi S.A. chegou a um ponto crítico, colocando em risco o desmantelamento e a perda de controle sobre ativos estratégicos valiosos para a soberania tecnológica do país, incluindo a Oi Soluções e sua participação na rede neutra V.tal.

O BNDES, sob sua liderança, se tornou um agente transformador na neoindustrialização e na transição para uma economia digital, o que torna imprescindível uma intervenção econômica imediata para evitar a liquidação prejudicial desses ativos para o capital estrangeiro, que não está alinhado aos interesses nacionais, e a interrupção de serviços essenciais ao Estado.

A Oi enfrenta uma crise sem precedentes, caracterizada pela exaustão de caixa, venda de ativos estratégicos e pela falta de uma solução definitiva, essa situação tem provocando consequências diretas para cerca de 18 mil trabalhadores, 164.706 credores e 219.786 acionistas, sendo a maioria investidores minoritários. Indiretamente, as repercussões atingem famílias, fornecedores, órgãos públicos, clientes e a infraestrutura de telecomunicações do Brasil, com um impacto potencial que envolve aproximadamente 400.000 pessoas.

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Além disso, a rápida descapitalização do grupo e a venda de ativos, como as participações na V.tal, a preços muito desvalorizados, levantam sérias dúvidas sobre a preservação do valor econômico da companhia. Relatos indicam que um ativo que antes era avaliado em R$ 12,3 bilhões foi vendido por cerca de R$ 4,5 bilhões, gerando um deságio de 63% e levantando preocupações sobre os laudos que fundamentaram essa transação.

A situação da Oi Soluções, que constitui um dos poucos centros de tecnologia e serviços digitais genuinamente brasileiros, é alarmante. A empresa desempenha um papel crucial junto ao governo e grandes corporações, e sua desvalorização contínua sem uma estratégia de estabilização ameaça a soberania digital do Brasil e a capacidade de inovação.

A Oi Soluções possui ativos intangíveis altamente valiosos, incluindo uma extensa carteira de clientes e contratos governamentais, que estão sendo tratados de forma residual e podem ser liquidadas a preços muito inferiores ao seu real valor de mercado.

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Mesmo que as vendas da Oi Soluções e da V.tal sejam realizadas, as quantias obtidas não serão suficientes para resolver estruturalmente a dívida da empresa, levando a uma destruição permanente de valor e à perda de ativos estratégicos.

A importância da Oi Soluções é indiscutível, dado seu suporte a redes de dados que são essenciais para a infraestrutura governamental e serviços de segurança pública. A perda desta capacidade operacional poderia resultar em sérias consequências para o Brasil quanto à resiliência digital do Estado e à sua segurança nacional.

A necessidade de intervenção financeira estruturada por parte da União é evidente, e deve ser realizada de forma legal e cautelosa. Propomos que se considere:

  • A antecipação de direitos creditórios da arbitragem pertinente, que são vitais para o equilíbrio econômico da Oi;
  • A estruturação dessa antecipação com a participação do BNDES, visando preservar valores, empregos e tecnologia;
  • A construção de uma solução rápida e coordenada, evitando a liquidação a preços predatórios e permitindo uma reorganização sustentável da companhia.

Entendemos as restrições fiscais, mas sugerimos uma engenharia financeira robusta: a antecipação de recebíveis com base nos créditos da arbitragem com a Anatel, que possui lastro jurídico real e que pode ser securitizado.

Mais uma vez, apelamos para a urgente necessidade de uma intervenção que proteja não apenas a Oi, mas também os trabalhadores e credores envolvidos. A inação prolonga o sofrimento de milhares de colaboradores e compromete a infraestrutura digital fundamental para o Brasil.

Acreditamos na capacidade do BNDES em liderar a estruturação de uma solução que salvaguarde a soberania tecnológica do país e aguardamos a oportunidade de discutir mais a fundo os parâmetros dessa proposta.

Renovamos nosso pedido por uma atuação imediata e decisiva, diante da relevância da situação para o Brasil.

Respeitosamente,

Fonte: convergenciadigital.com.br

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