O primeiro debate televisivo com a presença dos principais candidatos ao Governo do Paraná, realizado nesta terça-feira (29), foi marcado por intensas discussões, trocas de acusações de corrupção envolvendo aliados e frequentes menções aos cenários políticos de Brasília. Apenas a cinco dias do primeiro turno das eleições, o encontro reuniu os postulantes que lideram as intenções de voto e possuem representação no Congresso Nacional: Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD).
A estrutura do evento foi dividida em quatro etapas. Os três primeiros blocos foram marcados por debates de tema livre entre os concorrentes ao Palácio Iguaçu, enquanto o último segmento foi reservado para as considerações finais de cada campanha.
Confrontos sobre polarização nacional e segurança pública
Logo no primeiro bloco, o tom de embate nacional dominou a disputa. Sergio Moro direcionou críticas a Sandro Alex, apontando que o PSD, partido do adversário, integra a base do governo federal ao comandar três ministérios na gestão liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Por sua vez, Sandro Alex — que atuou como secretário de Infraestrutura durante a gestão de Ratinho Júnior — rebateu as críticas afirmando que Moro teria rompido alianças políticas no passado. O candidato do PSD mencionou a saída de Moro do Ministério da Justiça durante a administração de Jair Bolsonaro e criticou o voto do senador favorável à indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O debate também abordou diretrizes para a educação. Sandro Alex questionou as propostas de Requião Filho em relação ao modelo de escolas cívico-militares, sugerindo que o pedetista pretendia fechar instituições de ensino no estado. Em resposta, o deputado estadual negou a intenção de encerramento das unidades e defendeu uma reavaliação do modelo atual, argumentando que ele carece de eficácia pedagógica.
Ainda na primeira etapa, Requião Filho cobrou de Sergio Moro propostas voltadas à proteção e ao combate à violência contra a mulher. Em sua réplica, o senador destacou entre as prioridades para a segurança pública a construção de uma unidade prisional estadual de segurança máxima.
Passado judicial, Operação Lava-Jato e propostas para a saúde
O segundo bloco deu continuidade aos questionamentos sobre alianças partidárias. Requião Filho inquiriu Sergio Moro sobre sua filiação ao PL e a relação com o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Moro respondeu que a condução do governo estadual não estaria vinculada à cúpula partidária e resgatou sua trajetória como magistrado à frente da Operação Lava-Jato.
O embate entre Moro e Sandro Alex teve novos capítulos quando o candidato do PSD voltou a enfatizar o posicionamento do senador na votação de ministros para a corte suprema. Em sua defesa, Moro pontuou o apoio recebido de Jair Bolsonaro durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
Após as discussões políticas, os candidatos expuseram planos para o setor da saúde pública, mencionando a necessidade de ampliação da rede hospitalar, a efetivação da tabela do SUS no âmbito estadual e a redução das filas de atendimento médico no Paraná.
Infraestrutura, gestão de estatais e funcionalismo público
Durante o terceiro bloco, Sandro Alex destacou as realizações econômicas e de infraestrutura dos últimos oito anos da gestão do PSD no estado. O ex-secretário enfatizou a execução de obras de duplicação em rodovias paranaenses e defendeu o modelo de concessões de rodovias adotado regionalmente.
Em contrapartida, Requião Filho e Sergio Moro concentraram suas críticas na administração de empresas estatais paranaenses, como a Copel e a Sanepar. O debate econômico também abriu espaço para propostas voltadas à valorização e recomposição salarial dos servidores públicos do estado, além de novas diretrizes para a melhoria dos serviços de saúde.
Considerações finais e recados aos eleitores
O quarto e último bloco permitiu que cada candidato utilizasse quatro minutos para dialogar diretamente com o eleitorado paranaense e sintetizar suas propostas de governo.
Requião Filho abriu as considerações criticando a postura dos concorrentes ao longo do programa. Ele rotulou Sandro Alex como instável e ironizou o que chamou de disputa ideológica entre os adversários para definir quem seria o representante legítimo do bolsonarismo.
Sergio Moro afirmou ter passado grande parte do tempo de fala respondendo a ataques e definiu seus opositores políticos como representantes de correntes ligadas à administração federal ou à disseminação de inverdades. O senador reiterou que sua candidatura busca somar o legado anticorrupção com o apoio popular do ex-presidente.
Encerrando a rodada de discursos, Sandro Alex enfatizou a necessidade de priorizar as demandas locais em detrimento de debates sobre a política de Brasília. O candidato reforçou o compromisso de dar continuidade às obras estruturantes iniciadas pela gestão estadual vigente, citando como exemplo a construção da Ponte da Integração, em Guaratuba.
Fonte:: ric.com.br


