A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez uma cobrança contundente nesta quarta-feira, 28, exigindo a imediata restituição das reservas metálicas de ouro do país que se encontram custodiadas pelo Banco da Inglaterra. Os ativos estão bloqueados no território britânico há mais de seis anos, período marcado por intensas disputas diplomáticas e controvérsias acerca do reconhecimento político do governo venezuelano.
Durante seu pronunciamento, a mandatária foi enfática ao declarar que “chega de desculpas” e classificou a situação como um “roubo do nosso ouro”. Ela reforçou que o patrimônio em questão pertence exclusivamente aos cidadãos venezuelanos, e não à instituição financeira britânica. A relutância em liberar os ativos gerou um impasse prolongado que afeta diretamente a gestão econômica da nação sul-americana.
O impasse financeiro e diplomático com Londres
O cofre do Banco da Inglaterra abriga toneladas de barras de ouro pertencentes à Venezuela, cuja avaliação em 2023 apontava um montante aproximado de US$ 1,9 bilhão. O governo venezuelano tem enfrentado barreiras intransponíveis para repatriar esses recursos, uma vez que o Reino Unido decidiu não reconhecer a legitimidade da reeleição de Nicolás Maduro ocorrida em 2018.
Apesar do cenário de atrito, sinais de degelo diplomático começaram a surgir recentemente. Em setembro, Londres e Caracas anunciaram o início de uma aproximação oficial, com a intenção de elevar o status de suas representações diplomáticas — até então limitadas a encarregados de negócios — por meio da nomeação de embaixadores plenos.
As raízes do bloqueio remontam a 2019, ano em que o então líder oposicionista Juan Guaidó articulou junto às autoridades do Banco da Inglaterra o congelamento dos ativos, criando um obstáculo legal e político intransponível para o acesso da administração de Maduro aos recursos armazenados no exterior.
Novos desdobramentos políticos e pressões internacionais
A nova investida de Delcy Rodríguez acontece em um momento geopolítico sensível, transcorridos nove meses desde a captura de Maduro em uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. Paralelamente, o cenário interno passou por modificações após um acordo firmado em agosto entre o governo interino e setores da oposição na mesa de negociações voltada à transição democrática. O pacto estabeleceu o compromisso mútuo de lutar pela recuperação dos ativos metálicos, com o propósito de direcionar parte dos fundos para o auxílio às vítimas dos fortes terremotos registrados em 24 de junho.
Para a presidente interina, o comportamento adotado pelas autoridades britânicas nos últimos anos configurou uma estratégia protelatória. Segundo ela, o que se viu foi uma “enrolação que, na verdade, busca a apropriação ilegítima dos recursos”, reiterando que o metal precioso integra as reservas oficiais do Banco Central da Venezuela.
Atuando sob forte pressão exercida por Washington, Delcy Rodríguez determinou que tanto o Ministério das Relações Exteriores quanto a Procuradoria-Geral da República intensifiquem as tratativas pelos canais diplomáticos e jurídicos competentes, visando assegurar o retorno definitivo do ouro ao território venezuelano.
Fonte:: estadao.com.br


