Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última sexta-feira (29) revelaram que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre deste ano, impulsionado pelo desempenho positivo dos três principais setores da economia.
O setor agropecuário foi o destaque, apresentando um crescimento de 2%, seguido pela indústria com uma alta de 1,0% e serviços com 0,5%. De acordo
Antonio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, analisou os dados e identificou um crescimento anual de 1,8% e uma variação trimestral de 1,1%. Para ele, os resultados confirmam a expectativa do banco de uma atividade econômica mais robusta no primeiro trimestre. Essa performance, segundo ele, pode ser atribuída a “incentivos pontuais do governo, como a isenção do Imposto de Renda e a valorização real do salário mínimo”.
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Conforme os dados do IBGE, a Despesa de Consumo das Famílias registrou um aumento de 1,7% no primeiro trimestre de 2026. Luiz Otávio Leal, economista-chefe da G5, destaca que esses dados são fundamentais para entender os resultados do trimestre. “No segundo semestre de 2025, o consumo estava praticamente estagnado. Agora, está acima de 1% no primeiro trimestre. O aumento no consumo das famílias, impulsionado por incentivos, é surpreendente”, avalia.
Por outro lado, Henrique Alencar, analista do Núcleo de Contas Nacionais do FGV Ibre, comenta que o crescimento do consumo e o aumento de 0,4% na dívida pública bruta, decorrente das medidas governamentais, podem impactar negativamente a redução da taxa básica de juros, a Selic.
<p“A questão do aumento da dívida pública é preocupante, mas isso está acontecendo de forma gradual. No curto prazo, isso está relacionado a gastos para sustentar a renda, como isenção de IR e subsídios para combustíveis devido ao conflito no Oriente Médio”, explica Alencar.
De acordo com ele, há uma grande probabilidade de que os cortes na taxa de juros ocorram de maneira mais lenta em 2026. Leal concorda e acrescenta que a redução dos juros em junho deverá ser modesta, com o espaço para ajustes diminuindo ao longo do ano.

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“Iniciativas como o Desenrola 2.0 aumentam o consumo, algo que o Banco Central está tentando conter com a manutenção das taxas de juros elevadas. Assim, é provável que os cortes cessem após junho e retornem apenas no final de 2026”, avalia Leal.
Antonio Ricciardi também chama atenção para o bom desempenho da indústria, especialmente no setor extrativo, que tende a ser menos impactado pelas políticas monetárias. “Isso demonstra uma certa recuperação do setor”, afirma o economista do Daycoval.
Além disso, Letícia Moschioni, especialista em business e sócia da Finscale, juntamente com Peterson Rizzo, Head de Relações com Investidores da Multiplike, observam a taxa de investimento do PIB e as exportações como áreas de preocupação. “A taxa de investimento de 16,5% do PIB ainda é considerada baixa para um país que necessita aumentar sua produtividade, infraestrutura e capacidade produtiva”, aponta Moschioni. Rizzo complementa: “O aumento de 4,4% nas importações e a queda nas exportações indicam uma demanda interna robusta que está pressionando a balança comercial”.
Assim, a expectativa é de que a economia desacelere nos próximos trimestres. Segundo Ricciardi, a previsão do Banco está abaixo da expectativa média do mercado, que estima um crescimento em torno de 1,89%. “Estamos projetando um crescimento de 0,3% para o segundo trimestre, 0,1% para o terceiro e 0,2% para o quarto, totalizando um crescimento de 1,7% para o ano”, detalha.
O pesquisador do FGV Ibre observa que a tendência de desaceleração começou em 2024 e deve continuar em 2026. “Isso está intimamente ligado a fatores externos, como conflitos internacionais, e incertezas relacionadas ao processo eleitoral. O fenômeno El Niño também deve influenciar uma possível desaceleração no segundo semestre”, acrescenta.
Em contraste, a projeção do Ministério da Fazenda indica um crescimento de 2,3% para o PIB neste ano. Para o economista-chefe da G5, o crescimento observado no primeiro trimestre sinaliza uma trajetória mais alinhada com as expectativas do governo. “É difícil acreditar que não teremos um crescimento de pelo menos 0,3% nos próximos trimestres. Mesmo que o PIB não apresente mais variações, já há uma ‘alta contratada’ de 1,5% para o ano”, conclui.
Fonte: cnnbrasil.com.br


