A guerra recente no Irã tem trazido desafios significativos para a economia da China, criando um ambiente econômico incerto ao impactar a demanda global e, consequentemente, o crescimento das exportações chinesas. O país enfrenta, ainda, dificuldades internas, como a crise de energia e problemas nas cadeias de suprimentos, além de riscos associados aos seus investimentos de longo prazo na região do Oriente Médio.
Apesar desses desafios, especialistas afirmam que a China permanece em uma posição mais favorável do que muitos de seus vizinhos para lidar com as consequências a curto prazo, e há a possibilidade de que a situação resulte em benefícios a longo prazo.
Uma análise realizada pelo China Power Project, que tem colaboração com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), sugere que a segurança energética relativa da China poderá ajudar seus fabricantes a se destacarem em relação à concorrência de outros países no médio prazo, especialmente considerando a crescente demanda global por energia renovável. “Sua relativa segurança energética pode ajudar os fabricantes chineses a superar concorrentes em outros países no médio prazo, e uma demanda global mais intensa por energia renovável pode favorecer ainda mais a China”, indica o relatório.
O estudo detalha os principais impactos que a guerra no Irã está causando sobre a economia chinesa:
Queda na Demanda por Exportações Chinesas
A guerra no Irã está afetando negativamente várias economias, muitas das quais são grandes mercados para os produtos chineses. Essa situação é preocupante, visto que a China tem se tornado cada vez mais dependente do crescimento econômico baseado em suas exportações. As projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as importações globais foram recentemente revisadas para baixo, especialmente em economias em desenvolvimento. Entre os 20 principais mercados de exportação da China, oito tiveram suas projeções de crescimento das importações significativamente reduzidas. Isso inclui países como Índia, Malásia, Tailândia, Indonésia, Singapura, Emirados Árabes Unidos, Filipinas e Arábia Saudita, que enfrentaram declínios acentuados.
Com a demanda global por produtos chineses em baixa, o crescimento da economia chinesa pode ser ainda mais comprometido. A meta de crescimento do PIB da China já havia sido suavizada para uma faixa de 4,5% a 5% durante a reunião das “Duas Sessões” em março — a menor meta desde 1991. A instabilidade causada pela guerra no Irã pode tornar ainda mais desafiador para o país alcançar essas metas.
Disrupções no Setor Energético
A China está enfrentando sérias disrupções em seu setor energético por conta da guerra no Irã, já que mais de um terço de seu suprimento de petróleo bruto é transportado pelo Estreito de Ormuz anualmente. Contudo, a China se apresenta mais protegida em comparação a muitas economias devido às suas reservas estratégicas de energia e à diversificação de suas Contudo, a guerra desencadeou uma das maiores crises energéticas da história, causando um aumento substancial nos preços do petróleo Brent, que saltou de uma média de US$ 71 por barril em fevereiro para mais de US$ 100. Os preços do gás natural liquefeito (GNL) também dispararam, refletindo a pressão sobre os mercados.
As consequências dessa instabilidade têm um impacto direto sobre a segurança energética da China, sendo o desafio mais significativo para o gigante asiático proveniente da redução da demanda mundial por seus produtos.
Impacto nas Cadeias de Suprimentos
A elevação dos custos de energia e outros insumos essenciais tem pressionado o vasto setor industrial da China, minando os lucros dos produtores e prejudicando uma demanda interna que já era delicada. Embora outros países também sintam essa pressão, os fabricantes chineses podem ter uma vantagem competitiva ao aproveitarem suas capacidades em comparação com concorrentes globais a longo prazo.
A China continua a ser o maior fabricante global, respondendo por aproximadamente 28% do valor agregado da manufatura mundial. A produção desses bens requer consumo elevado de energia. No caso, apenas o setor industrial chinês consumiu mais de 95 exajoules de energia em 2023, equivalente ao consumo total da economia dos Estados Unidos.
Riscos para Investimentos Chineses
Em 2025, o Oriente Médio foi um dos principais destinos de investimentos da China, especialmente com o aumento nas aplicações em tecnologia em países ricos da região. A guerra representa riscos diretos sobre investimentos já realizados e pode minar a confiança em futuras iniciativas de investimento na área. A escalada de conflitos e os ataques de represália do Irã a várias entidades, incluindo a infraestrutura energética e instalações americanas, expuseram bilhões de dólares em investimentos, inclusive de origem chinesa, a riscos consideráveis.
Diversificação e Resiliência da Economia Chinesa
Apesar das dificuldades, o estudo destaca que a China está em uma posição relativamente boa para resistir aos choques econômicos. O governo tem mantido os preços internos artificialmente baixos, utilizando apoio de empresas estatais para absorver parte dos custos. Em abril, os reguladores chineses reduziram os preços da gasolina e do diesel pela primeira vez desde o início do conflito, mesmo com o aumento nos preços globais de petróleo.
A China possui as maiores reservas estratégicas de petróleo do mundo, com aproximadamente 1,4 bilhão de barris, o que representa capacidade suficiente para cobrir cerca de quatro meses de demanda líquida de importações. Adicionalmente, a China já vinha implementando estratégias de diversificação de fornecedores de petróleo, reduzindo a dependência do Oriente Médio.
Com a crescente adoção de Essa abordagem tem demonstrado ser fundamental para a segurança energética e pode proporcionar uma vantagem competitiva a longo prazo, mesmo diante das adversidades atuais.
Em resumo, apesar dos desafios imediatos que emergem da guerra no Irã, a capacidade da China de se adaptar e evoluir pode permitir que o país não apenas suporte os efeitos negativos da situação, mas também aproveite oportunidades futuras que possam surgir no cenário pós-conflito.
Fonte: infomoney.com.br


