Demanda interna de milho no Brasil deve atingir recorde em 2023

Marcelo Borges
7 min. de leitura
USDA projeta mais de 441 milhoes de toneladas e...

A demanda por milho no mercado interno brasileiro é projetada para alcançar um patamar recorde de 100 milhões de toneladas neste ano. Essa estimativa é da Pátria AgroNegócios e representa um aumento de 11,11% em relação à demanda de 90 milhões de toneladas registrada no ano anterior.

Nos últimos dez anos, a produção de milho no Brasil dobrou, impulsionada pelo crescimento da safra de milho safrinha, pela ampliação da área plantada e pelos avanços na produtividade, conforme destaca Marcela Marini, analista de Grãos e Oleaginosas do Rabobank. Para 2023, a expectativa é de que a safra brasileira de milho alcance 137 milhões de toneladas, embora um pouco abaixo das 142 milhões de toneladas do ano passado.

O aumento na produção do grão no país tem sido especialmente impulsionado pela maximização da segunda safra de milho. Cristiano Palavro, consultor de mercado da Pátria AgroNegócios, ressalta que o setor de rações é o maior consumidor de milho e que há um crescimento expressivo previsto para este ano. Contudo, ele alerta sobre uma alta probabilidade de que o aumento do consumo possa pressionar a produção, afetando a oferta.

Os grãos secos de destilaria (DDG) têm apresentado boa aceitação entre os pecuaristas brasileiros, consolidando-se como uma alternativa importante na formulação das rações. Apesar do crescimento na produção de milho no Brasil, o grão vem perdendo participação na composição das dietas, em um movimento de substituição gradual por subprodutos da indústria de etanol de milho e outras culturas. O DDG, em particular, tem se destacado por seu valor nutricional e competitividade de custo, enquanto o sorgo surge como uma opção complementar na alimentação animal.

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Esse cenário reflete uma mudança gradual na estrutura das rações no Brasil, com uma diversificação maior dos insumos utilizados pela pecuária. De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), cerca de 60% do milho consumido no mercado interno é destinado à produção de ração animal, sublinhando a importância do cereal para a cadeia produtiva de proteína no país.

Dentro desse volume, o setor avícola é o principal consumidor, correspondendo a cerca de 32% do total utilizado para a nutrição animal, enquanto a suinocultura vem em seguida, com cerca de 15% do consumo total de ração.

Desafios Climáticos

A safra de milho safrinha representa aproximadamente 70% da produção total no Brasil. Assim, atrasos no plantio da soja podem atrasar o cultivo do milho, o que aumentaria a exposição a períodos mais secos e perdas de produtividade. Atualmente, diversas regiões do Brasil enfrentam escassez de chuvas, com alguns locais sem precipitações há dias ou até semanas.

As previsões climáticas indicam que essa situação deve se manter, especialmente impactando a área leste do país, incluindo Goiás, Minas Gerais, o norte de São Paulo, a Bahia e partes do Mato Grosso do Sul. No entanto, o clima no estado do Mato Grosso permitiu um aumento na produtividade do milho, que passou de 116,61 sacas por hectare em abril para 118,71 sacas.

Segundo especialistas, a área de cultivo de milho em Mato Grosso é de 7,39 milhões de hectares, com uma produção estimada em 52,65 milhões de toneladas, um aumento de 1,81% em relação à estimativa anterior, que era de 51,72 milhões de toneladas.

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Impacto do Etanol na Demanda

Um fator relevante para o setor de milho no Brasil é a proposta do governo de aumentar a mistura obrigatória de etanol na gasolina de 30% para 32%. Essa medida é considerada essencial para fortalecer a demanda por biocombustíveis no país. A expansão das usinas de etanol de milho, em particular, está contribuindo para o crescimento da demanda interna pelo cereal.

A previsão é de que a demanda por milho destinado à produção de etanol no Brasil atinja um novo recorde em 2026, com a expectativa de que o país consuma cerca de 27,5 milhões de toneladas do grão para a fabricação do biocombustível, representando um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

O avanço das usinas de etanol de milho no Brasil já se expandiu além do Mato Grosso, onde inicialmente se concentrava, para novas regiões agrícolas, mesmo em áreas onde a disponibilidade de milho é mais restrita. Estados como Bahia e Piauí, além de partes do oeste mato-grossense, têm atraído investimentos em plantas de etanol de milho, apesar de enfrentarem desafios com a oferta do cereal.

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Com aproximadamente 30 usinas de etanol de milho em operação atualmente, espera-se que a capacidade instalada chegue a 12,6 bilhões de litros até o final da safra 2025/26, com uma produção prevista de cerca de 9,6 bilhões de litros, refletindo um aumento dos investimentos no setor e a demanda crescente por biocombustíveis no mercado interno.

Desafios Logísticos e Economia

O aumento do custo do frete no Brasil, que chegou a registrar alta de cerca de 20% em algumas regiões, favorece a competitividade das usinas de etanol de milho, que estão localizadas próximas às principais áreas produtoras. Essa proximidade permite uma eficiência maior no abastecimento, reduzindo os custos logísticos e tornando a operação das usinas mais competitiva, em comparação ao mercado exportador, que se vê encarecido pelos custos com transporte.

A expectativa é que a indústria de etanol de milho continue a crescer, refletindo a evolução da matriz de biocombustíveis do país e a necessidade de diversificação das

Fonte: cnnbrasil.com.br

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