Justiça americana determina que casa branca devolva credenciais de imprensa

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Redação

A Justiça dos Estados Unidos determinou, na madrugada desta quinta-feira, 24, a suspensão imediata da medida adotada pela administração do presidente Donald Trump que proibia a entrada de jornalistas de importantes veículos de comunicação nas dependências da Casa Branca. A decisão judicial obriga o governo norte-americano a restabelecer o acesso das equipes de reportagem da CNN, do MS NOW e do Politico.

A ordem de restrição temporária, com validade inicial de 14 dias, foi proferida pelo juiz distrital Timothy Kelly. Curiosamente, o magistrado responsável pela sentença havia sido indicado para o cargo pelo próprio Donald Trump no ano de 2017. A decisão representa um revés significativo para o Poder Executivo na esfera jurídica e recoloca em debate os limites constitucionais da relação entre o governo federal e os profissionais da mídia.

Entenda o caso e a motivação do banimento

O veto aos veículos de imprensa havia sido anunciado pelo presidente republicano na sexta-feira anterior, dia 18. Na ocasião, a gestão justificou a medida sob a premissa de combater a disseminação de notícias falsas, em um claro tom de confronto direto com as empresas jornalísticas afetadas. A atitude gerou forte repercussão internacional e acendeu um alerta entre entidades de defesa da liberdade de expressão.

Em resposta imediata à restrição imposta pela Casa Branca, as redações da CNN, do MS NOW e do Politico uniram forças e ingressaram com uma ação judicial conjunta. Os advogados dos veículos argumentaram perante a Justiça que o banimento representava uma violação flagrante da Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que assegura a proteção legal ao direito à liberdade de imprensa e ao livre exercício da atividade jornalística no país.

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Fundamentos da decisão judicial

Em sua fundamentação, o juiz Timothy Kelly destacou que a revogação sumária das credenciais de imprensa dos veículos mencionados “provavelmente violou seus direitos constitucionais ao devido processo legal”. O magistrado enfatizou que o governo não pode simplesmente retirar prerrogativas essenciais sem seguir os trâmites legais adequados.

“A regra geral é que as pessoas devem ser notificadas e ter a oportunidade de serem ouvidas antes que o governo as prive de um interesse constitucionalmente protegido”, escreveu o magistrado em trecho do documento divulgado após a deliberação. Com o veredito, o governo dos Estados Unidos fica obrigado a devolver as credenciais aos repórteres afetados enquanto o processo tramita nas instâncias judiciais.

Histórico de tensões com a imprensa

O episódio atual não é isolado na trajetória política de Donald Trump. O atrito constante com jornalistas e veículos de comunicação que adotam uma postura crítica em relação à sua administração tem sido uma marca registrada de sua atuação pública. Durante seu primeiro mandato na presidência, o líder republicano chegou a rotular formalmente a imprensa tradicional como “inimiga do povo”, acirrando os ânimos entre seus apoiadores e os profissionais da área.

Analistas políticos observam que a nova restrição à imprensa ocorreu em um momento delicado para a Casa Branca. A administração enfrenta índices de aprovação popular em patamares considerados de baixa histórica. Além disso, o cenário eleitoral traz preocupações reais para o partido Republicano, que corre o risco consistente de perder o controle do Congresso norte-americano nas eleições de meio de mandato, agendadas para o próximo dia 3 de novembro.

Com a determinação da Justiça, os veículos afetados retomam temporariamente o direito de cobrir presencialmente os acontecimentos e pronunciamentos oficiais na sede do governo, enquanto a disputa jurídica sobre os limites do poder presidencial e a liberdade de imprensa continua a se desenrolar nos tribunais norte-americanos.

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Fonte:: estadao.com.br

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