Inteligência artificial generativa marca presença nas escolas brasileiras mas carece de diretrizes

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A mais recente edição da pesquisa TIC Educação, desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), trouxe um panorama inédito sobre a inserção da Inteligência Artificial (IA) generativa no ambiente escolar brasileiro. Divulgada recentemente, a investigação mapeou como diretores, coordenadores e professores têm lidado com essas novas tecnologias tecnológicas no cotidiano das instituições de ensino.

De acordo com os dados levantados pelo estudo, mais da metade dos gestores escolares, totalizando 53%, já recorrem a sistemas de IA generativa para otimizar rotinas ligadas à gestão pedagógica, administrativa ou financeira. Entre as principais aplicações relatadas por esses profissionais estão a geração de conteúdos visuais e materiais de comunicação, citada por 83% dos entrevistados, a produção de comunicados oficiais e convites, mencionada por 80%, e o suporte em tarefas textuais como tradução, revisão e síntese de documentos, que alcançou 71% das respostas.

A permissão do uso por estudantes e o panorama da rede de ensino

No que diz respeito à atuação dos alunos, a pesquisa aponta que 37% das escolas já autorizam o uso de ferramentas de inteligência artificial em atividades educacionais e tarefas escolares. Esse índice varia conforme a dependência administrativa e o nível de ensino: a proporção sobe para 47% quando considerada apenas a rede estadual e atinge 52% nas instituições que oferecem turmas até o Ensino Médio.

Apesar da rápida adoção dessas tecnologias tanto na administração quanto na sala de aula, o levantamento acende um alerta sobre a falta de governança institucional. Mesmo com a ampla disseminação dos recursos, apenas 22% dos gestores afirmaram que suas respectivas unidades de ensino contam com um guia formal ou diretrizes orientadoras sobre o uso correto da inteligência artificial no ensino, na aprendizagem ou na gestão escolar. O índice de regulação interna é de 19% entre as escolas municipais, enquanto nas redes estaduais e particulares o percentual chega a 25%.

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Desafios na segurança digital e o papel das políticas públicas

Para especialistas, a expansão acelerada dessas tecnologias sem o devido respaldo normativo impõe desafios complexos para a comunidade escolar. Renata Mielli, coordenadora do CGI.br, destaca que a construção de um ambiente digital educacional que seja simultaneamente pleno e seguro constitui uma prioridade estratégica para o Brasil, exigindo a cooperação mútua entre Estado, famílias e sociedade civil.

“Construir uma educação digital plena e segura é um desafio estratégico para o país e que precisa ser compartilhado entre os diferentes atores sociais. A escola tem um papel importante e crescente, mas também as famílias e o Estado. Precisamos aprimorar políticas públicas e estabelecer regras para a atuação de plataformas digitais. Regulação e políticas públicas são elementos cruciais para a proteção de crianças e jovens, como aponta o ECA Digital”, aponta Renata Mielli.

A coordenadora também enfatiza a urgência de capacitação para a comunidade escolar, ressaltando que pais, responsáveis e educadores necessitam de suporte contínuo para decodificar a complexidade de conceitos abstratos, a exemplo da lógica de funcionamento de algoritmos e sistemas autônomos. Somente por meio dessa conscientização coletiva, segundo o organismo, será possível blindar crianças e adolescentes contra eventuais vulnerabilidades e abusos no universo virtual.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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