Pressão política e crise econômica fortalecem extrema direita na Europa

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Lourival Sant'Anna

Os protestos por moradia na Espanha, as manifestações por melhor ensino na França e o avanço da extrema direita em ambos os países, além da Alemanha, estão intensificando a pressão política contra os governos de centro. Essas administrações encontram-se acuadas por fortes pressões fiscais, disparada no custo de vida, crise de energia e pela necessidade urgente de investir mais em defesa, diante da ameaça russa e do enfraquecimento da aliança histórica com os Estados Unidos.

Considerando o tamanho dos respectivos Produto Interno Bruto (PIB), os países integrantes da União Europeia destinam 50% a mais de recursos para o estado de bem-estar social do que os Estados Unidos. Em contrapartida, os norte-americanos gastam 50% a mais do que os europeus no setor de defesa.

Ao colocar em xeque o compromisso dos Estados Unidos de garantir a segurança do território europeu, Donald Trump acabou forçando as nações europeias a ampliarem expressamente os seus orçamentos militares. Essa exigência coincidiu com um momento de forte descontentamento popular na Europa em relação aos serviços públicos básicos e à escalada da inflação. O cenário foi agravado ainda mais por choques energéticos provocados pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além do fechamento estratégico do Estreito de Ormuz. Tarifas alfandegárias implementadas por Trump também têm colaborado para pressionar os preços para cima.

De forma sintomática, toda essa conjuntura geopolítica e econômica gerada pela administração americana acaba beneficiando legendas e lideranças europeias que compartilham de afinidades ideológicas com o ex-presidente dos Estados Unidos. Entre os principais beneficiados estão o partido Vox, na Espanha, o Reunião Nacional, liderado por Marine Le Pen na França, e a legenda Alternativa para a Alemanha (AfD).

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No entanto, mesmo após 20 meses de retorno ao poder e da aplicação de políticas rigorosas e anti-imigratórias na história recente norte-americana, a gestão de Trump falhou em conter o encarecimento do custo de vida. Pelo contrário, o problema econômico se intensificou. Apesar disso, os partidos de oposição e aliados ideológicos na Europa seguem culpando a imigração pelos desafios sociais enfrentados em seus territórios. Na prática, as populações europeias, que passam por um processo acelerado de envelhecimento, dependem fundamentalmente da mão de obra estrangeira para garantir a sustentabilidade das aposentadorias, suprir lacunas no mercado de trabalho e manter a engrenagem econômica girando.

Diferenças regionais e crises políticas

Entre as grandes nações do continente, a Espanha destacou-se por ser a única que recusou as metas de elevar os gastos militares para patamares próximos de 5% do PIB. Em contrapartida, o país ibérico acabou enfrentando episódios recentes e severos de crise migratória. Em julho, dezenas de milhares de migrantes cruzaram a fronteira com o Marrocos em direção a Ceuta, enclave espanhol situado no norte do continente africano. A emergência humanitária pressionou e sobrecarregou os serviços públicos locais.

O cenário político se deteriorou ainda mais quando o Parlamento rejeitou propostas legislativas voltadas para conter o despejo de inquilinos, gerando uma crise institucional que culminou na convocação de eleições antecipadas na Espanha para o dia 29 de novembro. Levantamentos de intenção de voto mostram avanço contínuo do partido Vox.

A França também se prepara para um calendário eleitoral decisivo nos meses de abril e maio do próximo ano. Marine Le Pen lidera as pesquisas de preferência do eleitorado, embora enfrente desgastes políticos após ter sido condenada judicialmente por desvio de verbas destinadas ao Parlamento Europeu.

Analistas apontam o paradoxo de eleitores europeus buscarem ativamente soluções que já foram testadas e demonstraram resultados ineficazes nos Estados Unidos, onde o partido republicano também enfrenta crescentes dificuldades políticas nas disputas legislativas.

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Fonte:: estadao.com.br

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