A Federação Internacional de Futebol divulgou, nesta sexta-feira (9), um levantamento detalhado sobre o comportamento nas redes sociais durante a última edição da Copa do Mundo. De acordo com os dados apresentados, que antecedem o Dia Mundial da Saúde Mental, um a cada cinco ataques virtuais direcionados a atletas, treinadores e árbitros teve cunho racista. O monitoramento examinou mais de 17 milhões de publicações em plataformas como X, Instagram, Facebook e TikTok entre os dias 9 de junho e 20 de julho.
O escopo da análise abrangeu as contas oficiais das 48 seleções participantes, além de 1.606 pessoas diretamente envolvidas na competição, compreendendo 1.248 atletas, 188 profissionais de comissões técnicas e 170 oficiais de arbitragem. Deste total monitorado, 812 indivíduos foram alvos de postagens ofensivas, o que representa 50,6% dos participantes do torneio sediado conjuntamente nos Estados Unidos, no México e no Canadá.
O balanço aponta que 240.676 publicações foram consideradas abusivas após passarem por um processo de triagem com inteligência artificial e revisão humana. Essas mensagens faziam parte de um universo de quase 477 mil conteúdos sinalizados pelo sistema de proteção digital da entidade. O mecanismo tecnológico da federação também atuou de forma preventiva, bloqueando automaticamente 9,2 milhões de postagens — cerca de 15% do total de 60,7 milhões de interações registradas nos perfis oficiais da organização e das equipes durante o evento — antes que pudessem ser visualizadas pelo público.
Entre os casos mais graves documentados pelo relatório, um jogador não identificado foi alvo de mais de 10 mil mensagens de ódio. Destas, 40% eram de natureza racista, além de incluírem episódios de homofobia, sexismo e transfobia. A entidade esportiva destacou que o volume de ataques contra esse atleta específico sofreu uma alta expressiva após comentários preconceituosos disseminados por uma figura pública, que acabaram viralizando na internet.
O torneio também foi marcado por episódios públicos de intolerância. Durante a realização dos jogos, a senadora paraguaia Celeste Amarilla utilizou uma rede social para desferir ofensas contra o atacante Kylian Mbappé. Na ocasião, a parlamentar criticou o capitão da seleção francesa, nascido em Paris e com ascendência camaronesa e argelina, com termos depreciativos relacionados à sua identidade e origem.
Além do racismo, que representou 20% das infrações detectadas, o estudo mapeou outras formas de assédio digital. Acusações de corrupção, direcionadas majoritariamente à própria Fifa, corresponderam a 15% das postagens revisadas. Ameaças violentas somaram 14%, com um pico expressivo de hostilidade registrado logo após a vitória da Noruega sobre o Brasil por 2 a 1 na fase de oitavas de final. Comportamentos xenofóbicos também pontuaram no levantamento, atingindo 12% dos conteúdos analisados.
No recorte por equipes, a seleção que mais sofreu com ataques foi justamente a da França, concentrando 33% das ocorrências de cunho racial. A seleção da Inglaterra também registrou índices elevados, com 21% de mensagens concentrando ofensas racistas e xenofóbicas combinadas. Em ambos os casos, a análise apontou que as publicações questionavam a composição multicultural dos plantéis.
Diante dos resultados, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, enfatizou a importância da continuidade das barreiras digitais para resguardar os profissionais do esporte. Em comunicado oficial, o dirigente ressaltou que a instituição mantém o firme propósito de blindar a comunidade do futebol contra manifestações de ódio online, utilizando tecnologias avançadas capazes de identificar desde textos elaborados por usuários até imagens adulteradas por inteligência artificial.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


