O Programa Permanente de Esterilização de Cães e Gatos, conhecido como CastraPet Paraná, desempenha um papel que vai muito além dos procedimentos cirúrgicos de controle populacional de animais domésticos. A iniciativa estadual também atua de maneira firme na prevenção de zoonoses e na proteção integral da saúde pública, tanto animal quanto humana, por meio da ampla distribuição de doses da vacina antirrábica em todo o território paranaense.
De acordo com os dados oficiais divulgados sobre a execução do projeto, o programa foi responsável pela aplicação de 80 mil doses de vacinas contra a raiva em cães e gatos ao longo dos últimos dois anos. Essa frente de atuação é considerada estratégica pelas autoridades sanitárias, visto que a raiva é uma infecção viral grave, incurável na grande maioria dos casos sintomáticos e fatal tanto para os animais de estimação quanto para os seres humanos.
Embora as variantes caninas clássicas do vírus da raiva estejam atualmente sob controle epidemiológico no Brasil, os especialistas alertam que o agente etiológico continua circulando ativamente no ciclo silvestre. O principal reservatório e vetor dessa circulação na natureza são os morcegos. É importante destacar que diferentes espécies de quirópteros, englobando tanto os animais hematófagos — que se alimentam exclusivamente de sangue de vertebrados — quanto os não hematófagos, podem carregar o patógeno e transmitir a zoonose.
A transmissão do vírus ocorre primariamente por meio da saliva do animal infectado, injetada sobretudo através de mordeduras. De forma mais rara, a contaminação também pode se dar por arranhaduras profundas ou pelo contato direto da saliva contaminada com mucosas ou feridas abertas na pele. Por essa razão, a vigilância constante e a imunização preventiva formam a principal barreira contra o avanço da doença para o meio urbano.
No que diz respeito aos felinos, as autoridades de saúde reforçam que a atenção dos tutores precisa ser redobrada. Os gatos possuem, por natureza, um comportamento altamente preditivo e instinto de caça acentuado. Essa característica aumenta significativamente a probabilidade de interação com morcegos, fazendo com que os felinos atuem, muitas vezes, como o elo de ligação mais perigoso entre os ciclos silvestre e urbano da raiva.
Diante desse cenário de risco potencial, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná destaca que a vacinação antirrábica anual é absolutamente fundamental. A imunização precisa ser mantida rigorosamente atualizada durante toda a vida do animal, abrangendo inclusive os pets em idade avançada, sempre em conformidade com a orientação técnica especializada fornecida por médicos veterinários.
Orientações de segurança e prevenção
Como os morcegos são animais silvestres cuja preservação é estritamente protegida por lei federal, o manejo inadequado dessas espécies representa um crime ambiental, além de um grave risco à integridade física. Para mitigar os perigos de exposição ao vírus da raiva, órgãos de saúde recomendam uma série de cuidados práticos que devem ser seguidos à risca pela população:
Em hipótese alguma se deve tocar ou manipular um morcego, mesmo que o animal seja encontrado aparentemente morto. Crianças e animais de estimação precisam ser mantidos imediatamente afastados do local onde o quiróptero foi avistado. Sempre que for possível realizar a ação com absoluta segurança e sem qualquer tipo de contato físico direto, o morcego deve ser isolado cobrindo-o com um balde, uma caixa de papelão ou outro recipiente adequado, ou simplesmente fechando o cômodo da residência onde ele apareceu para impedir sua fuga.
Os cidadãos jamais devem tentar capturar, alimentar ou soltar por conta própria um morcego encontrado em perímetro urbano. A conduta correta consiste em acionar imediatamente o serviço municipal de Vigilância em Saúde ou o departamento de Zoonoses da prefeitura, solicitando orientações específicas e a remoção segura do animal por profissionais devidamente capacitados e equipados com EPIs.
Caso ocorra qualquer situação de acidente envolvendo exposição humana — como mordidas, arranhões ou simples contato direto com a saliva de um morcego —, a recomendação médica é lavar a região atingida de maneira imediata e abundante com água e sabão neutro. Em seguida, o paciente deve procurar sem demora a Unidade de Saúde mais próxima para passar por uma avaliação rigorosa e receber a indicação da profilaxia antirrábica humana, medida essencial para impedir o desenvolvimento da doença.
Se a exposição envolver animais de estimação, a regra é semelhante. Caso cães ou gatos tenham entrado em contato físico com um morcego, o tutor não deve manipular o bicho e precisa comunicar o fato de imediato à Vigilância em Saúde ou Zoonoses, informando detalhadamente o histórico completo de vacinação antirrábica do pet para que as autoridades determinem a quarentena ou o reforço vacinal necessário.
Para prevenir invasões e reduzir drasticamente as chances de morcegos entrarem nas residências, especialmente através de vãos e janelas durante o período noturno, proprietários podem instalar telas de proteção com tramas milimétricas adequadas. Essa medida física bloqueia o acesso dos mamíferos voadores sem causar danos aos animais e sem a necessidade de intervenções caseiras de manejo que coloquem a saúde da família em risco.
Fonte:: iat.pr.gov.br


