A capital paranaense dá um passo importante no enfrentamento às arboviroses nesta quarta-feira (29) com a introdução oficial dos primeiros exemplares do Aedes aegypti modificados com a bactéria Wolbachia, amplamente apelidados de Wolbitos. A estratégia inovadora, que utiliza a ciência para conter a propagação de doenças graves, chega a Curitiba como uma alternativa sustentável e de longo prazo para proteger a população contra a dengue, além de outras enfermidades transmitidas pelo mesmo vetor, como a zika e a chikungunya.
A iniciativa, que tem mobilizado equipes de saúde e pesquisadores, baseia-se na introdução da bactéria Wolbachia nos insetos. Esse microrganismo atua de forma a impedir que o vírus causador da dengue se desenvolva no organismo do mosquito. Como resultado, mesmo que o inseto pique uma pessoa infectada, ele perde a capacidade de transmitir o patógeno adiante. Estudos rigorosos conduzidos ao longo dos últimos anos atestam que a presença da bactéria é totalmente segura tanto para os seres humanos quanto para o meio ambiente e a fauna local.
Como funciona a estratégia dos Wolbitos na prática
O método adotado não envolve modificação genética dos animais no sentido tradicional de laboratório, mas sim a infecção natural dos insetos com a bactéria que já existe em diversos outros tipos de insetos comuns na natureza. A dinâmica da soltura é planejada para que os Wolbitos liberados no ambiente cruzem com os exemplares de Aedes aegypti que já circulam na região. Desse modo, ao longo das gerações seguintes, a bactéria é repassada para os descendentes, fazendo com que a população de mosquitos local seja substituída gradativamente por uma nova linhagem incapaz de transmitir os vírus.
Especialistas reforçam que essa abordagem atua diretamente na raiz do problema sanitário. Ao estabelecer uma população autossustentável de mosquitos portadores da Wolbachia, a incidência das doenças tende a cair drasticamente nos bairros contemplados, reduzindo a sobrecarga sobre a rede pública de saúde e trazendo mais tranquilidade para os moradores durante os períodos de maior calor e umidade, quando a prolagação do vetor costuma se intensificar.
Onde ocorre a primeira etapa da soltura
Para o pontapé inicial desta operação em Curitiba, o bairro escolhido foi o Sítio Cercado, localizado sob a jurisdição do Distrito Sanitário Bairro Novo. A região passou por etapas prévias de preparação, englobando ações de conscientização da comunidade e alinhamento logístico para receber os recipientes com os insetos. A escolha do bairro levou em consideração critérios epidemiológicos e a densidade populacional, garantindo que o projeto piloto tenha o impacto necessário para monitoramento e avaliação de eficácia pelas autoridades competentes.
A implantação desta tecnologia em solo curitibano coloca o estado do Paraná em evidência nacional no que tange à inovação em saúde pública. O trabalho desenvolvido por pesquisadores e órgãos municipais alinha-se a tendências globais de controle biológico, que buscam alternativas aos métodos tradicionais baseados exclusivamente em inseticidas químicos, cujos efeitos tendem a diminuir com a resistência dos mosquitos ao longo do tempo.
SAIBA MAIS
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A população do Sítio Cercado e das demais regiões de Curitiba que venham a receber a tecnologia em fases futuras deve continuar atenta aos cuidados tradicionais de eliminação de criadouros de água parada, visto que o método da Wolbachia é complementar e atua na redução da capacidade de transmissão, exigindo o engajamento contínuo da sociedade para manter os índices de infestação sob controle.
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Fonte:: cbncuritiba.com.br


