Dezenas de milhares de moradores e turistas que haviam abandonado suas residências devido aos intensos incêndios florestais na Espanha e na França começaram a retornar aos seus locais de origem. No entanto, uma nova onda de calor e ventos fortes voltou a preocupar as autoridades e a reacender focos de fogo nos arredores de Bordeaux, no território francês.
Enquanto a Espanha optou por suspender as ordens de evacuação em todos os municípios da província de Ávila, situada nas proximidades de Madri, o cenário na França ainda exige cautela. Na região de Gironda, no sudoeste francês, as altas temperaturas retornaram acompanhadas de uma brisa marítima que alimenta um incêndio florestal de proporções e intensidade incomuns para a época.
Após dias de forte tensão e angústia diante de chamas que já consumiram mais de 120 mil hectares somando os dois países europeus, a população afetada encontrou realidades distintas ao voltar. Algumas pessoas depararam-se com a destruição completa de seus patrimônios, enquanto outras puderam respirar aliviadas ao constatar que suas propriedades resistiram à força da natureza.
Cenário de destruição e relatos de perdas
Em Pelayos de la Presa, município próximo a Madri, o impacto emocional do desastre é visível. O aposentado José Fernández, de 74 anos, expressou desolação ao encontrar sua residência reduzida a escombros. “Não tenho dinheiro, não tenho documentos, não tenho casa”, relatou, descrevendo os móveis queimados, as paredes parcialmente desabadas e as montanhas de cinzas acumuladas sobre o que representava três décadas e meia de sua história.
Apesar da liberação oficial para o retorno dos moradores, o clima na cidade ainda é de desolação e muitas residências permanecem vazias. De acordo com Antonio Sin, prefeito de Pelayos de la Presa, cerca de 15 famílias perderam totalmente suas moradias para o avanço rápido e destrutivo do fogo.
A partir de terça-feira, aproximadamente 24 mil pessoas iniciaram o trajeto de volta para suas residências nas zonas de Madri e na província de Ávila. Ambas as localidades funcionaram como os principais epicentros das chamas na Espanha, configurando um dos piores desastres ambientais já registrados na história recente do país ibérico.
Situação crítica no sudoeste da França
Do outro lado da fronteira, no território francês, dezenas de milhares de cidadãos também receberam autorização para voltar para casa na célebre região vinícola de Bordeaux. O local foi severamente castigado pelo maior incêndio florestal registrado no país desde 1949, que contabilizou impressionantes 42 mil hectares queimados e provocou o deslocamento de mais de 220 mil pessoas.
Apesar da liberação, a calmaria durou pouco. Uma densa camada de fumaça voltou a encobrir a porção norte do balneário de Lanton, localizado a oeste de Marcheprime, ponto central do incêndio e situado a cerca de 30 quilômetros de Bordeaux.
Nas imediações, equipes de bombeiros enfrentam condições adversas. As chamas circundam campos utilizados como aceiros — faixas sem vegetação criadas especificamente para barrar a progressão do fogo. No entanto, o calor escaldante e rajadas de vento intensas vêm espalhando faíscas e dificultando o trabalho das corporações de resgate, que tentam desesperadamente impedir a abertura de novas frentes de destruição.
Alerta meteorológico e novas ameaças
Embora em alguns momentos o avanço do fogo tenha aparentado certa estabilização, as agências de proteção civil da França e da Espanha mantiveram o sinal de alerta máximo. As previsões meteorológicas indicavam condições altamente desfavoráveis ao longo do dia, elevando o potencial de propagação de novos focos.
Após um breve alívio térmico nos dias anteriores, os termômetros voltaram a subir de forma expressiva. Ao meio-dia, a temperatura em Bordeaux já alcançava a marca de 35°C. A agência nacional Météo-France emitiu boletins indicando que o período seria o mais quente e seco da semana, mantendo o nível de risco de incêndios florestais no grau máximo em todo o território francês.
Fonte:: estadao.com.br


