Estudo aponta aumento nos gastos com armas nucleares, superando R$ 600 bilhões em 2025

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

De acordo com um estudo recente, os investimentos globais em armamentos nucleares alcançaram um recorde próximo a US$ 119 bilhões (aproximadamente R$ 615 bilhões na cotação atual) em 2025. O relatório, que alerta sobre uma iminente “nova corrida armamentista nuclear”, sugere que essa situação pode se prolongar por décadas.

O levantamento, realizado pela Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican), destaca que os nove países que detêm armas nucleares aumentaram seus gastos em quase US$ 17 bilhões (equivalente a R$ 88 bilhões). Em meio a um cenário de crescente tensão geopolítica, o relatório enfatiza que “uma nova corrida armamentista nuclear está se aproximando, com os responsáveis se preparando para um prolongamento que poderá durar décadas.”

Susi Snyder, diretora de programas do Ican e coautora do estudo, expressou sua preocupação em relação a essa escalada nos gastos, especialmente quando se considera o aumento do risco associado ao uso de armas nucleares impulsionado por inovações em inteligência artificial. “Estou apavorada”, afirmou em entrevista à Agence France-Presse (AFP).

Outra pesquisa do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri), divulgada no mesmo dia, reforça o alerta ao indicar que o nível de perigos e riscos nucleares está em ascensão. Apesar de o número total de ogivas nucleares no mundo ter diminuído nas últimas décadas, totalizando 12.187, a quantidade de munições prontas para uso subiu para 9.745.

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Investimentos bilionários

O estudo revela que todas as nações com armamentos nucleares, incluindo Reino Unido, China, França, Índia, Israel, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia e Estados Unidos, aumentaram seus orçamentos para esse fim no último ano.

Os Estados Unidos se destacam, tendo destinado um montante superior ao de todos os outros países juntos, com um fatídico investimento de US$ 69,2 bilhões (R$ 358 bilhões) em 2025. Na sequência, estão a China, com US$ 13,5 bilhões (R$ 70 bilhões), o Reino Unido, com US$ 12,6 bilhões (R$ 65,14 bilhões), e a Rússia, com gastos de US$ 9,5 bilhões (R$ 49 bilhões).

A Ican, premiada com o Nobel da Paz em 2017, ressalta que esses nove Estados somaram um total de US$ 470 bilhões (cerca de R$ 2,43 trilhões) em seus arsenais nos últimos anos, e projeta que esses gastos continuarão a crescer.

O relatório indica planos de investimento a longo prazo de países como Reino Unido, França e Estados Unidos, que incluem bilhões de dólares para o desenvolvimento e manutenção de sistemas de armas até o próximo século. Além disso, outras nações estão introduzindo novos sistemas de armamento que visam perdurar no tempo.

Especificamente, os novos mísseis balísticos intercontinentais Sentinel projetados pelos EUA devem permanecer em operação até além de 2100, e a crescente produção de núcleos de plutônio indica que suas ogivas poderão ser mantidas até 2120, necessitando de investimentos vultosos.

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Projeções indicam que os gastos dos EUA com armamentos nucleares na próxima década, entre 2025 e 2034, podem se aproximar de US$ 1 trilhão (R$ 5,17 trilhões). Os pesquisadores destacam que esses valores são especialmente alarmantes em um momento em que o sistema humanitário global enfrenta cortes drásticos em financiamento.

Susi Snyder enfatizou que “o que esses países gastaram em 2025 poderia ter financiado 32 anos do orçamento operacional da Organização das Nações Unidas (ONU)”. Apenas um dia de gastos com armas nucleares no ano passado poderia ter garantido segurança alimentar para mais de dois milhões de pessoas.

Em vez de oferecer assistência ou assegurar serviços essenciais à população, os Estados detentores de armas nucleares concentram investimentos em um arsenal que, segundo Susi, “eles mesmos sabem que não podem utilizar sem cometer um crime de guerra.” A especialista finaliza dizendo que parece haver “uma desconexão total da realidade.”

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Fonte: estadao.com.br

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