Paraná reage com preocupação após União Europeia confirmar veto à carne brasileira

Marcelo Borges
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A confirmação da União Europeia em retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne, tripas, peixe e mel gerou comoção no setor produtivo e no governo do Paraná. Ambos se mobilizaram para esclarecer a qualidade da produção local e solicitaram uma ação imediata do governo federal para evitar a interrupção das exportações para o bloco europeu, que devem ser efetivadas a partir do dia 3 de setembro.

O veto, anunciado em publicação no Diário Oficial da União Europeia, ocorre em um contexto em que a Comissão Europeia afirma que o Brasil não apresentou garantias suficientes quanto à conformidade de toda a cadeia produtiva com as exigências do bloco sobre o uso de medicamentos antimicrobianos em animais.

SAIBA MAIS

  • Federação da Agricultura do Estado do Paraná aposta em novas oportunidades de exportação em mercados alternativos.

Em resposta à polêmica, a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) ressaltou que a exclusão da carne bovina brasileira não reflete a realidade do sistema produtivo do país e do estado. De acordo com a entidade, tanto o Brasil quanto o Paraná possuem um elevado status sanitário e uma cadeia produtiva pecuária consolidada, além de serem reconhecidos internacionalmente como áreas livres de febre aftosa sem vacinação.

A Faep destacou a importância de uma atuação célere do governo federal para reunir e enviar as informações solicitadas pelos europeus, com o intuito de evitar a interrupção das exportações. Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP, comentou sobre os potenciais impactos da decisão no estado.

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O governador Ratinho Junior (PSD) também se manifestou em defesa do agronegócio paranaense. Ele afirmou que a decisão da União Europeia não compromete a qualidade da carne produzida no estado, nem diminui a força do setor agropecuário. Ratinho Junior enfatizou que o Paraná permanecerá ao lado dos produtores, buscando expandir mercados e fortalecer iniciativas voltadas para a geração de empregos, renda e desenvolvimento econômico.

Exigências sanitárias

A medida europeia foi anunciada há cerca de um mês, logo após o início provisório de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, e agora recebeu confirmação oficial. O principal fator apontado pelo bloco não é uma suspeita de contaminação nos produtos brasileiros, mas a ausência de comprovações documentais e de rastreabilidade em relação ao uso de substâncias antimicrobianas proibidas na Europa.

No mês de abril, o governo brasileiro já havia proibido a utilização de determinados medicamentos que estimulam o crescimento e aumentam a produtividade animal. Contudo, a Comissão Europeia considerou que ainda são necessárias garantias adicionais para que as normas referente à segurança alimentar e saúde pública sejam integralmente obedecidas.

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Para que o Brasil consiga retornar à lista de países autorizados a exportar os produtos mencionados, será necessário demonstrar o atendimento às exigências europeias em todo o ciclo de produção. As alternativas incluem aumentar as restrições sobre os medicamentos ou implementar sistemas de rastreabilidade mais rigorosos, uma solução que pode elevar os custos para produtores e frigoríficos. No estado do Paraná, o setor agropecuário aguarda ansiosamente que o Brasil possa reverter essa decisão.

A União Europeia representa um dos principais mercados para as proteínas animais brasileiras e é um dos maiores destinos da carne bovina do Brasil em termos de valor exportado.

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Fonte: cbncuritiba.com.br

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