Testes do split payment começam em breve mas ferramenta não estará completa em janeiro

Marcelo Borges
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

Os testes internos voltados ao funcionamento do split payment, que representa o inovador mecanismo de arrecadação inserido no contexto da Reforma Tributária, têm início programado ainda para o decorrer deste ano, conforme garantiu a Receita Federal. Mesmo com a antecipação dessas avaliações práticas, o órgão fiscalizador admitiu que a tecnologia estrutural não estará com 100% de suas funcionalidades concluídas e operacionais no momento em que o novo modelo tributário passar a valer oficialmente em janeiro de 2027.

De acordo com as diretrizes divulgadas pela Receita Federal, o planejamento estratégico estabelece uma introdução escalonada da solução digital, amplamente apontada por especialistas como um dos pilares mais complexos e desafiadores da reestruturação dos impostos sobre o consumo. A meta principal com essa fase inicial de testes internos é assegurar a estabilidade e a eficácia operacional do sistema dentro dos órgãos governamentais antes que a plataforma seja efetivamente liberada para o uso cotidiano dos contribuintes e das diversas entidades financeiras que participarão da cadeia de arrecadação.

O conceito do split payment fundamenta-se na capacidade de realizar a divisão imediata e automatizada da fatia correspondente aos novos tributos incidentes sobre o consumo logo no ato em que ocorre a liquidação financeira de qualquer transação comercial. Na prática comercial do dia a dia, no exato momento em que o consumidor efetuar o pagamento de uma mercadoria ou serviço, a porcentagem devida referente ao IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e à CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) será direcionada de forma instantânea para os cofres do Fisco. Enquanto isso, o montante remanescente seguirá diretamente para a conta do fornecedor ou prestador do serviço. A proposta central por trás dessa tecnologia é combater de maneira drástica os índices de inadimplência, coibir práticas de sonegação fiscal e neutralizar tentativas de fraudes, além de conferir muito mais agilidade e simplicidade ao processo de aproveitamento de créditos tributários pelas empresas.

Implementação em etapas e desafios tecnológicos

Embora a obrigatoriedade e a largada oficial do split payment estejam oficialmente agendadas para janeiro de 2027, a Receita Federal já demonstra transparência ao ponderar que a ferramenta integral não estará integralmente finalizada até o prazo limite. Diante dessa realidade técnica, a adoção do sistema ocorrerá de maneira progressiva, permitindo que as capacidades operacionais avancem gradativamente ao longo do período de transição estipulado pela Reforma Tributária. Essa abordagem cautelosa tem como finalidade principal assegurar um ambiente de maior segurança para as operações financeiras, dando o tempo hábil necessário para que o setor empresarial, as instituições bancárias e as administrações tributárias consigam adequar seus respectivos parques tecnológicos ao novo cenário fiscal.

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Conforme reforçado pelo Fisco, a bateria de testes que começa a ser aplicada internamente ainda este ano servirá fundamentalmente para validar fluxos de trabalho, mapear eventuais pontos de melhoria, realizar correções necessárias e preparar a infraestrutura digital robusta exigida para suportar o volume de dados da nova ferramenta.

O sucesso absoluto na implementação do split payment está intrinsecamente ligado à capacidade de integração fluida entre a administração tributária e uma vasta gama de agentes que compõem o mercado financeiro nacional, o que inclui bancos tradicionais, cooperativas de crédito, instituições financeiras variadas e as empresas de tecnologia responsáveis pelas soluções de meios eletrônicos de pagamento.

Complexidade na integração de pagamentos

Para cumprir o seu papel, o sistema tecnológico precisará ser capaz de processar, em frações de segundo, o fracionamento automatizado dos valores monetários que forem liquidados por meio de diferentes canais de pagamento disponíveis no mercado, tais como transferências via Pix, pagamentos de boletos bancários e transações com cartões de crédito ou débito. O grande objetivo é certificar-se de que o imposto devido seja recolhido de forma automática no exato instante em que a liquidação financeira da transação for concluída.

Essa necessidade de integração sistêmica em larga escala é apontada por analistas e técnicos como um dos maiores desafios de engenharia de software dentro do escopo da Reforma Tributária, principalmente devido ao volume massivo diário de operações comerciais realizadas no país e à exigência intransigente de processamento e repasse em tempo real.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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