Ministro de Israel é criticado por Netanyahu após publicar vídeo de tratamento dado a ativistas

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Em um desdobramento polêmico, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, enfrentou a reprovação do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu nesta quarta-feira, 20, após a divulgação de um vídeo que mostra dezenas de ativistas detidos de uma flotilha, supostamente em direção à Faixa de Gaza, sendo tratados de forma humilhante. As imagens revelam os ativistas caminhando de joelhos, com as mãos amarradas e a cabeça inclinada em direção ao chão.

O vídeo foi postado na conta oficial de Ben Gvir na plataforma X e acompanhado pela frase “Bem-vindos a Israel”. Nas filmagens, os ativistas aparecem no convés de um navio militar, com o hino nacional tocando ao fundo, além de registros que mostram o ministro hasteando a bandeira israelense já em território do país.

As cenas geraram uma onda de críticas, tanto dentro como fora de Israel. Netanyahu não hesitou em se manifestar, explicitando sua desaprovação em relação à conduta de Ben Gvir. O primeiro-ministro mencionou que já havia ordenado a deportação do grupo de ativistas que houve a apreensão.

“Israel tem todo direito de impedir a entrada de flotilhas provocativas, apoiadoras do Hamas, em nossas águas territoriais e em Gaza”, declarou Netanyahu em comunicado. “No entanto, a forma como o ministro Ben Gvir tratou os militantes da flotilha não condiz com os valores e padrões que prezamos em Israel”, acrescentou o primeiro-ministro.

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Netanyahu ainda enfatizou a necessidade de que os ativistas sejam deportados “o mais rapidamente possível”. Essas afirmações refletem um esforço para equilibrar a segurança nacional com a observância dos direitos humanos e tratados internacionais.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também se manifestou contra o vídeo. “Você causou danos intencionais ao nosso Estado com essa exibição vergonhosa, e isso não é uma primeira vez”, expressou Saar em postagem na mesma plataforma. Ele criticou Ben Gvir, afirmando que sua atitude comprometeu os esforços diplomáticos e as relações que Israel possui globalmente.

Saar reforçou que “essa não é a imagem que queremos projetar de Israel”. Ben Gvir, por sua vez, respondeu ao chanceler, alegando que “há pessoas no governo que não compreenderam como se deve agir em relação aos apoiadores do terrorismo”. Ele destacou a determinação do governo em proteger o território nacional contra qualquer atividade que possa ser interpretada como apoio ao extremismo.

O Hamas, grupo que detém o controle de Gaza, também emitiu uma declaração sobre as imagens, descrevendo-as como uma evidência da “depravação moral” de Israel. O grupo enfatizou que as cenas de humilhação e tortura promovidas pelo ministro são representações do sadismo que caracteriza os líderes israelenses.

A condenação ao tratamento dispensado aos ativistas não se limitou a autoridades israelenses. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e o vice-primeiro-ministro, Antonio Tajani, expressaram sua indignação. Em um comunicado conjunto, afirmaram que é “inaceitável” que manifestantes, incluindo cidadãos italianos, passem por um tratamento que desrespeita a dignidade humana.

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O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, também convocou o embaixador israelense em resposta às ações de Ben Gvir, considerando-as “inaceitáveis”. Ele utilizou a plataforma X para agradecer suas preocupações, ressaltando a importância de esclarecer a situação e lamentando o tratamento recebido pelos ativistas.

Na madrugada dessa quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou que 430 membros da flotilha Global Sumud, composta por aproximadamente 50 embarcações, foram detenidos e estariam sendo transferidos para Israel. Essa operação se deu após a interceptação do grupo na segunda-feira, 18, em águas próximas à costa de Chipre.

Esse episódio marca a terceira tentativa em um prazo de um ano de romper o bloqueio israelense imposto a Gaza, uma região que já enfrenta severas dificuldades sociais e econômicas, especialmente após o início do conflito gerado por um ataque sem precedentes do Hamas contra Israel em outubro de 2023. A situação resulta em uma complexa teia de tensões que afeta não apenas aos diretamente envolvidos, mas também as relações internacionais de Israel, sendo a resposta global a este caso um indicativo do impacto que ele poderá ter no futuro.

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Fonte: estadao.com.br

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