Uma pesquisa inovadora está em andamento no Laboratório de Melhoramento Genético da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Sob a liderança do professor José Raulindo Gardingo, o projeto resultou no desenvolvimento de uma semente de abóbora singular, que já nasce sem casca. Os frutos, cultivados na Fazenda Escola Capão da Onça (Fescon), em Ponta Grossa, possuem sementes com grande potencial produtivo e comercial, atualmente na fase de testes finais, aguardando aprovação e eventual lançamento no mercado.
A origem dessa semente sem casca no Brasil deve-se a uma colaboração de longa data entre o professor Gardingo e pesquisadores austríacos, que há décadas já estavam envolvidos na produção desse tipo de semente. “Recebi algumas sementes e comecei a realizar cruzamentos aqui em nosso laboratório, com a meta de desenvolver um genótipo de abóbora brasileiro que pudesse produzir essa semente”, explica o professor.
A presença de sementes sem casca em abóboras é considerada uma mutação genética. Com base nesse princípio, os pesquisadores iniciaram um processo de intercruzamento, onde buscavam reproduzir abóboras que gerassem exclusivamente sementes sem casca. “Após 20 anos de dedicação, finalmente obtivemos resultados mais satisfatórios, com sementes que brotam sem casca em diversas populações e tipos de abóbora”, detalha Gardingo.
A próxima etapa desse projeto consiste em finalizar os testes laboratoriais para registro junto ao Ministério da Agricultura. “A nossa semente é completamente sem casca, o que elimina a necessidade de retirada da casca, e já está pronta para ser utilizada na indústria alimentícia”, destaca o professor. Ele acrescenta que essa semente contém uma concentração elevada de cucurbitacina, uma substância conhecida por suas propriedades vermífugas, permitindo que as pessoas possam extrair o óleo ou consumir a semente diretamente.
<p“O sabor dessa semente é bastante agradável, e estamos otimistas em relação à sua comercialização tanto no Brasil quanto no exterior”, complementa Gardingo.
Um estudo realizado pela Embrapa em 2019 já havia indicado a eficácia vermífuga das sementes de abóbora, especialmente após a remoção da casca. No entanto, o diferencial da semente desenvolvida pela UEPG é que ela já é encontrada sem a casca, proporcionando essa facilidade aos consumidores. Outro benefício observado por pesquisas científicas é o potencial das sementes no combate a tumores. “As sementes podem ajudar a reduzir a incidência de tumores na bexiga e na próstata, o que torna este produto relevante à luz das evidências da pesquisa nessa área”, acrescenta o pesquisador.
Outro aspecto destacado das sementes da UEPG é que todas elas germinam no solo. “Essas sementes têm uma taxa de germinação eficaz, e estamos confiantes de que poderemos apresentá-las a pequenos produtores e ao mercado em geral”, afirma Rodrigo Mattielo, colega de pesquisa do professor Gardingo. “Após essa etapa de submissão, iniciaremos a avaliação da viabilidade do produto no mercado, e temos boas razões para acreditar que será aprovado, pois é um produto inédito no mercado brasileiro”.
Fonte:: seti.pr.gov.br


