Ministério público mira esquema de lavagem de dinheiro do pcc em são josé dos campos

Marcelo Borges
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Foto: © MPSP/Divulgação

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em conjunto com a Polícia Civil, deflagrou uma operação com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro atribuído a suspeitos de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As diligências se concentraram no município de São José dos Campos, situado no interior paulista.

Durante a ação realizada nesta quinta-feira (28), as autoridades cumpriram três mandados de busca e apreensão. Além das medidas cautelares de busca, a Justiça determinou o bloqueio judicial de veículos e imóveis de alto padrão pertencentes aos alvos, bem como o congelamento de bens no valor total de R$ 2,5 milhões.

De acordo com o avanço das investigações, os suspeitos utilizavam a estrutura de pessoas jurídicas para realizar transações no setor imobiliário. O objetivo principal dessas manobras financeiras era ocultar a verdadeira origem, a localização geográfica e a propriedade dos recursos obtidos por meio do tráfico de drogas. O inquérito policial teve início após a identificação de que as movimentações patrimoniais declaradas eram totalmente incompatíveis com a capacidade financeira real dos investigados.

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Os levantamentos apontam ainda que os valores ocultados eram direcionados a um ex-integrante do PCC que foi condenado no âmbito da Operação Boate Azul, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em 2016. Esse criminoso, que já faleceu, era o responsável por chefiar o tráfico de entorpecentes na região sul do município. Os registros indicam também que um dos principais alvos da atual fase investigativa já acumula uma condenação anterior de 13 anos e dois meses de reclusão pelos crimes de falsidade ideológica, porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas, acusações que vieram à tona na operação conduzida há uma década.

Histórico da operação boate azul

A Operação Boate Azul, iniciada pelo Gaeco em 2016, representou um marco no combate ao crime organizado na zona sul de São José dos Campos. Naquela ocasião, a força-tarefa desarticulou uma rede criminosa que detinha o monopólio da distribuição de drogas na região. A investigação inicial culminou na prisão de 23 pessoas, sendo 14 capturadas em virtude de mandados específicos e outras nove detidas em flagrante delito por tráfico de entorpecentes. Na mesma ocasião, as forças de segurança apreenderam mais de 100 quilos de entorpecentes, incluindo pasta base de cocaína e maconha, além de armas de fogo e farta documentação comprobatória.

Em outubro de 2017, a segunda fase da operação revelou ramificações surpreendentes ao denunciar 30 policiais civis suspeitos de integrar o esquema criminoso. Além dos agentes de segurança pública, uma advogada e outras quatro pessoas foram sentenciadas judicialmente por envolvimento com o tráfico, extorsão e corrupção.

As consequências para os agentes públicos envolvidos foram severas. Dos 30 policiais civis processados, 26 sofreram condenações por improbidade administrativa. As penalidades aplicadas pela Justiça abrangeram a perda definitiva do cargo público, a suspensão dos direitos políticos por períodos que variaram de três a oito anos e a imposição de multa civil correspondente a 30 vezes o valor dos vencimentos que recebiam.

Adicionalmente, os policiais foram condenados de forma solidária ao pagamento de uma indenização de R$ 2 milhões a título de danos sociais, montante sujeito a atualizações monetárias e incidência de juros legais. Anos mais tarde, em outubro de 2023, a Justiça da comarca de São José dos Campos proferiu novas sentenças, condenando mais cinco pessoas especificamente pelo crime de lavagem de dinheiro relacionado à mesma organização criminosa.

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Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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