Demanda por energia em data centers deve disparar até 2030 devido à inteligência artificial

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Foto: Divulgação / Foto: Convergência Digital Mande um e-mail

O avanço acelerado da inteligência artificial (IA) em escala global traz consigo um desafio sem precedentes para a economia e para os setores de infraestrutura e energia. De acordo com projeções recentes divulgadas pela consultoria global Bain & Company, a expansão contínua dessa tecnologia exigirá investimentos massivos estimados entre US$ 5 trilhões e US$ 6,5 trilhões em infraestrutura de data centers até o final desta década, em 2030.

Para atender à crescente demanda computacional, a consultoria estima que quase 150 GW de nova capacidade deverão ser adicionados ao redor do mundo no período. Essa expansão agressiva fará com que a capacidade instalada global quase triplique em apenas cinco anos, redesenhando o mercado tecnológico e exigindo novas estratégias de planejamento urbano, energético e industrial.

Aumento drástico na escala dos projetos

Essa nova fase da transformação digital é acompanhada por uma guinada na escala dos projetos estruturais. Enquanto há cerca de cinco anos um data center com capacidade de 50 MW já era considerado de grande porte, o cenário atual é completamente diferente. Hoje, corporações e desenvolvedores já planejam campi tecnológicos colossais, com capacidade de 5 GW ou mais.

Empreendimentos desse gigantismo exigem aportes financeiros astronômicos, podendo demandar entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões para a construção de cada unidade individual. Contudo, essa corrida tecnológica esbarra em barreiras estruturais significativas, principalmente no que diz respeito à disponibilidade de energia elétrica limpa e estável, fornecimento de equipamentos especializados, mão de obra qualificada e a burocracia associada ao licenciamento ambiental e urbano.

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Como reflexo direto dessa expansão, a Bain & Company projeta que o consumo global de eletricidade por parte dos data centers salará dramaticamente. O montante, que atualmente gira em torno de 388 TWh (terawatts-hora), tem previsão de saltar para impressionantes 1.288 TWh até o ano de 2030.

Gargalos na rede elétrica e desafios regulatórios

A conexão de novos centros de dados às redes elétricas existentes já se consolidou como um dos principais gargalos para o setor. O processo de ampliação e modernização da capacidade de transmissão de energia é lento e complexo, podendo levar mais de quatro anos para ser concluído em diversas regiões do planeta.

Além das limitações físicas e de engenharia, os entraves regulatórios e a resistência local por parte de comunidades e órgãos de controle têm gerado impactos financeiros consideráveis. O levantamento da consultoria aponta que, apenas no primeiro semestre de 2026, barreiras regulatórias e contestações locais atrasaram ou cancelaram 75 projetos de data centers em todo o mundo. O montante somado desses empreendimentos paralisados alcança a marca de US$ 130 bilhões em investimentos.

Sustentabilidade financeira da economia da inteligência artificial

Para sustentar o ritmo atual de expansão da infraestrutura tecnológica, a economia da inteligência artificial precisará movimentar cerca de US$ 6 trilhões por ano até 2031, conforme aponta a Bain & Company. No entanto, para atingir esse patamar de sustentabilidade financeira, uma fatia significativa desse capital precisará ser gerada por novas frentes de mercado.

A projeção indica que aproximadamente US$ 4,2 trilhões ainda terão de vir de inovações e novas aplicações comerciais, incluindo o desenvolvimento de sistemas autônomos avançados, soluções de inteligência artificial aplicadas ao mundo físico e usos práticos e de alto impacto em áreas vitais como a saúde pública, a medicina de precisão e a pesquisa científica global.

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Fonte:: convergenciadigital.com.br

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