Antes de conquistar uma cadeira na política institucional com uma votação expressiva no Paraná, o advogado curitibano Jeffrey Chiquini, filiado ao partido Novo, acumulou passagens marcantes e polêmicas nos bastidores do futebol paranaense. Entre os anos de 2023 e 2024, o profissional atuou diretamente em um dos casos mais complexos da história recente do Coritiba: a defesa do atacante Alef Manga, envolvido em um escândalo nacional de manipulação de resultados.
O envolvimento do atleta veio à tona durante as investigações da Operação Penalidade Máxima, conduzida pelo Ministério Público de Goiás, que desmantelou esquemas de fraudes em partidas de futebol por meio de apostas esportivas. Na época, Alef Manga confessou ter aceitado uma vantagem financeira de R$ 45 mil para receber propositalmente um cartão amarelo durante uma partida contra o América-MG, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2022. Como consequência de seus atos, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva aplicou uma suspensão de 360 dias ao jogador.
A primeira fase da defesa e o afastamento
Jeffrey Chiquini assumiu a representação jurídica do atacante logo após o início das denúncias no âmbito desportivo. No entanto, o relacionamento profissional sofreu uma interrupção temporária quando o advogado decidiu deixar o caso, fundamentando sua saída em motivos de foro íntimo e escusa de consciência. Sem a atuação de Chiquini naquele momento, a diretoria do Coritiba, representada pelo então CEO Carlos Amodeo e pelo executivo de futebol Artur Moraes, optou por emprestar o atleta para o clube Pafos, do Chipre. Pouco tempo depois, em outubro de 2023, a Federação Internacional de Futebol estendeu a punição do jogador para o âmbito mundial.
A reviravolta no cenário jurídico e esportivo aconteceu em junho de 2024, período em que Chiquini retomou a condução da defesa de Alef Manga. Logo após reassumir o caso, o advogado utilizou suas redes sociais para disparar duras críticas contra a estrutura diretiva do clube paranaense, direcionando ataques diretos ao diretor executivo William Thomas. Na ocasião, o defensor público alegou que a cúpula alviverde estaria boicotando o retorno do atleta ao elenco principal e tentando negociá-lo no mercado de transferências às escondidas da torcida.
Confronto direto com a diretoria e repercussão
As declarações públicas geraram forte atrito interno no Coritiba. Na mesma postagem em que criticava a gestão, Chiquini tentou se posicionar como um porta-voz dos torcedores organizados, afirmando publicamente que não possuía vínculos ou subordinação com os dirigentes do clube. A resposta da instituição não demorou a chegar. Através de um pronunciamento em formato de vídeo, o então diretor técnico Paulo Autuori rebateu veementemente as acusações do advogado e reafirmou que as portas do clube estavam rigorosamente fechadas para o retorno do atacante.
Nos meses seguintes, a estratégia de pressão midiática continuou com o apoio de influenciadores digitais, sustentando a tese de que a pena desportiva de Alef Manga teria expirado em julho de 2024. A divergência de entendimentos gerou uma crise institucional na diretoria coritibana. Enquanto Carlos Amodeo defendia o aproveitamento imediato do atleta, o departamento jurídico recomendava cautela extrema, e nomes como Paulo Autuori e William Thomas insistiam na necessidade de uma negociação definitiva.
O desgaste culminou na saída de Carlos Amodeo do cargo de CEO, seguida pela demissão de Paulo Autuori. Sob a liderança de uma nova gestão encabeçada por Gabriel Lima, o clube adotou a prudência jurídica sugerida pelos advogados internos. A cautela evitou um prejuízo esportivo severo: em nova decisão proferida no final de agosto de 2024, o tribunal esportivo esclareceu que o atacante só estaria apto a retornar aos gramados no final de setembro. Caso o clube escalasse o atleta antes da data estipulada, sofreria uma punição de perda de pontos capaz de comprometer a permanência da equipe na segunda divisão nacional.
Rompimento profissional e atuação com torcida organizada
Com o desfecho desfavorável nos tribunais esportivos e a impossibilidade de retorno imediato aos gramados, a parceria entre o advogado e o jogador chegou ao fim. Em agosto de 2024, Alef Manga utilizou suas redes sociais para oficializar o encerramento dos serviços prestados por Chiquini, justificando a decisão pelo descontentamento com os rumos estratégicos adotados na tentativa de converter a pena. Pouco tempo depois, o atacante acabou deixando definitivamente o clube após o término de seu vínculo contratual.
Além da forte exposição no caso envolvendo o atleta, a atuação de Jeffrey Chiquini nos bastidores do futebol paranaense também incluiu a representação legal de entidades de torcedores. Em fevereiro de 2024, quando o Poder Judiciário acatou um pedido do Ministério Público do Paraná para proibir a entrada de membros das torcidas organizadas Império Alviverde e Dragões Alviverdes no Estádio Couto Pereira, foi o advogado quem assumiu a frente jurídica da Império Alviverde, ingressando com recursos para derrubar as medidas cautelares impostas aos associados.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


