Após 50 dias, governo boliviano e maior central sindical do país assinam acordo para encerrar greve

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O governo da Bolívia e a Central Operária Boliviana (COB), a principal organização sindical do país, formalizaram um acordo nesta sexta-feira, 19, que visa o término da greve geral que durou 50 dias. A paralisação resultou em bloqueios nas principais rodovias do país, causando escassez de alimentos, medicamentos e combustíveis em várias cidades, especialmente na capital, La Paz, e na vizinha El Alto.

A greve foi iniciada em resposta à grave crise econômica que a Bolívia enfrenta, a mais severa em quatro décadas. Durante as manifestações, os grevistas chegaram a solicitar a renúncia do presidente Rodrigo Paz, que havia assumido o cargo há apenas seis meses.

Apesar da assinatura do acordo, alguns setores da sociedade boliviana já anunciaram que continuarão com as manifestações. O presidente da COB, Mario Argollo, afirmou que há um “compromisso do governo de cumprir imediatamente tudo o que foi acordado”. Em contrapartida, Rodrigo Paz destacou que “o diálogo é mais forte que a força; não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim aqueles que sabem se adaptar”.

O pacto inclui a criação de grupos de trabalho formados por ministros e representantes sindicais, com a finalidade de discutir a libertação dos mais de 100 detidos durante as manifestações na capital e nos bloqueios de estrada.

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O governo de Paz também se comprometeu a não privatizar empresas estatais, uma das principais demandas dos sindicatos. As negociações iniciais entre os representantes do governo e dos sindicatos começaram na semana passada, onde os bloqueios de estradas foram progressivamente reduzidos pela metade, com expectativa de que diminuam ainda mais nas próximas horas.

Apesar do compromisso do governo, grupos indígenas e agricultores pertencentes ao sindicato Túpac Katari, que operam nos Andes bolivianos, e produtores de coca da região de Chapare, fortaleza do ex-presidente Evo Morales, decidiram manter suas manifestações e bloqueios. O governo acusou estes grupos de serem influenciados por Morales, que está sendo criticado por suas declarações a favor da redução do mandato do presidente Paz e pela convocação de novas eleições dentro de um prazo de 90 dias.

No entanto, Argollo reafirma que Morales não é o verdadeiro líder das manifestações atuais. O ex-presidente, que já enfrenta um mandado de prisão por suposto envolvimento em tráfico de menores — acusação que ele nega — se tornou um ponto focal de controvérsia na atual situação política da Bolívia.

Fonte: estadao.com.br

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