Secretário de Trump afirma que Brasil não é visto como aliado pelos EUA

Marcelo Borges
4 min. de leitura
Declaração de Marco Rubio sobre o Brasil ocorre...

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou na última terça-feira (2) que o Brasil não se classifica como um país amigável para os Estados Unidos. A declaração coincide com a recente imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos que são importados do Brasil para o território americano, anunciado durante uma sessão no Senado dos EUA.

A afirmação de Rubio inclui comparações entre o Brasil e outras nações da América Latina, como a Nicarágua, Cuba e Venezuela. Ele observou que, apesar do Brasil estar atravessando um período eleitoral, a região está repleta de aliados e líderes que mantêm uma postura favorável aos interesses dos Estados Unidos.

Recentemente, na semana anterior à declaração, Marco Rubio se encontrou com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência do Brasil, durante uma visita a Washington, onde se reuniu com o presidente Donald Trump. Esse encontro parece ter influenciado as relações entre os dois países.

Além disso, as tarifas anunciadas despertaram reações no Brasil, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou Flávio Bolsonaro como responsável pelas medidas punitivas dos EUA, que incluem a designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em suas palavras, Lula criticou a postura dos filhos de Bolsonaro, afirmando que eles são “piores que ele” e os definiu como “traidores”.

- Publicidade-

Flávio Bolsonaro responde às tarifas norte-americanas

Em reação a essas tarifas e à crítica do presidente brasileiro, Flávio Bolsonaro revelou ter enviado uma carta a Marco Rubio, apelando para que os Estados Unidos reconsiderem a imposição de tarifas ao Brasil. Segundo o senador, a nova cobrança impactaria negativamente os brasileiros, que, por sua vez, enxergam os EUA como parceiros estratégicos.

Na carta, Flávio Bolsonaro enfatizou: “A imposição de novas tarifas causaria sérios prejuízos ao povo brasileiro — os mesmos cidadãos que veem os Estados Unidos como um parceiro e um amigo. Portanto, escrevo para reiterar, formalmente, o pedido que lhe fiz pessoalmente: que os Estados Unidos não impeçam tarifas ao Brasil.”

O pré-candidato expressou também sua preocupação em relação à economia brasileira, que se encontra em um estado de “grave deterioração fiscal e econômica”.

Impacto das novas tarifas nas exportações brasileiras

A proposta de tarifação anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA sugere uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. Entretanto, alguns itens estão com isenção da nova taxa, mantendo-se livres de tarifas adicionais. Entre esses produtos estão aviões, suco de laranja, café e certos minerais, reconhecidos como estratégicos para a economia brasileira.

Motivos por trás da tarifa dos EUA sobre o Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) mencionou o sistema de pagamentos brasileiro, conhecido como Pix, em 20 ocasiões no documento que justifica a imposição da tarifa de 25%. O USTR alega que o Pix prejudica “injustamente” as empresas americanas que oferecem serviços de pagamentos eletrônicos.

- Publicidade-

O relatório, divulgado na noite de segunda-feira (1º), resulta de uma investigação que teve início um ano atrás sob a administração de Donald Trump, utilizando a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para desafiar determinadas práticas comerciais de países estrangeiros.

O documento de 107 páginas recomenda, dentre outras ações, a aplicação da nova taxa em resposta a práticas brasileiras em seis áreas consideradas sensíveis aos interesses americanos, incluindo o sistema de pagamento Pix.

Acompanhe em: ric.com.br

- Publicidade-
Compartilhe esta notícia