Dia de campo em Londrina valida novas cultivares de mandioca com agricultores

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

Agricultores familiares da região de Londrina se reuniram na última sexta-feira (26) para acompanhar um dia de campo promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná — Iapar-Emater). O evento, realizado no Assentamento Eli Vive I, teve como principal finalidade apresentar os resultados práticos da avaliação de diferentes clones e cultivares de mandioca de mesa, testados diretamente sob as condições reais de solo e clima características da localidade paranaense.

A iniciativa contou com a presença de aproximadamente 40 pessoas, englobando produtores rurais, técnicos agrícolas e pesquisadores. Durante a programação, plantas inteiras com suas respectivas raízes foram dispostas em frente a cada parcela experimental, viabilizando uma análise visual direta e comparativa sobre o potencial produtivo e os traços agronômicos de cada material avaliado.

“A avaliação em propriedades complementa os ensaios experimentais porque mostra o desempenho dos materiais nas condições reais enfrentadas pelos agricultores. Esse retorno é importante para orientar a seleção dos clones mais promissores”, pontuou o pesquisador Wilmar Ferreira Lima, representante do IDR-Paraná.

Metodologia de pesquisa participativa

A iniciativa faz parte de um trabalho colaborativo iniciado há dois anos, que une o conhecimento de pesquisadores, extensionistas e agricultores familiares. A cada nova safra, um produtor do assentamento cede uma fração de sua terra para abrigar uma unidade demonstrativa. Nela, novos clones criados pelo IDR-Paraná são plantados lado a lado com as variedades já tradicionais na rotina da comunidade.

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Todo o manejo e os tratos culturais e fitossanitários da área experimental ficam a cargo do próprio agricultor anfitrião, que aplica os mesmos métodos utilizados no restante de sua lavoura. Ao longo de todo o ciclo da cultura, especialistas monitoram métricas como taxa de germinação, desenvolvimento vegetativo, incidência de pragas e doenças, índice de produtividade e a qualidade culinária das raízes colhidas. Esses dados fundamentam a triagem das melhores opções genéticas.

Na safra em questão, a unidade demonstrativa foi instalada na propriedade do casal Salete Foscarini Dias e Juvecir Dias, onde nove clones experimentais e quatro cultivares comerciais foram cultivados a partir de setembro de 2025.

“É o produtor quem acompanha todo o desenvolvimento da cultura e participa da escolha das cultivares que mais atendem às suas necessidades”, ressaltou o extensionista do IDR-Paraná, Paulo Roberto Mirtvi.

Palestras técnicas e perspectivas para o mercado local

Além da visita guiada às plantações, a agenda técnica do dia de campo contemplou palestras voltadas à preservação do solo e dos recursos hídricos na lavoura de mandioca. Os participantes também receberam instruções detalhadas sobre processos de agroindustrialização, exigências legislativas e técnicas para a fabricação de derivados da raiz.

Entre os presentes estava o produtor Valdecir Cabrera, morador do distrito do Limoeiro e responsável pelo processamento de cerca de duas toneladas de mandioca semanalmente. Participando da atividade pela segunda vez, ele destacou a relevância da iniciativa para o aprimoramento do seu negócio.

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“Gosto de participar porque este evento mostra, na prática, os clones e as cultivares. Assim podemos comparar e escolher aqueles que apresentam melhor potencial para nossa produção”, declarou o agricultor.

Ao término do evento, a área demonstrativa foi transformada em um banco de multiplicação de ramas. Dessa forma, o agricultor anfitrião ganha condições de repassar o material propagativo para outros produtores da região que tenham interesse em adotar os clones e as cultivares testadas.

Panorama da cadeia produtiva em Londrina

No município de Londrina, a cultura da mandioca é predominantemente conduzida por agricultores familiares, ocupando uma área aproximada de 850 hectares voltados ao abastecimento do mercado regional. A produtividade média registrada na atividade oscila entre 18 e 20 toneladas por hectare.

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Entre as alternativas comerciais mais difundidas e disponíveis para o cultivo na zona rural londrinense, destacam-se a cultivar IPR Upira — desenvolvida pelo próprio IDR-Paraná, caracterizada pela polpa amarela e alta concentração de betacaroteno —, além das opções BRS 429, BRS 396 e BRS 399, concebidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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