Estreia vitoriosa do Cruzeiro na Libertadores Feminina sob forte altitude

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: © Gustavo Martins/Cruzeiro

Os 2.850 metros de altitude de Quito, capital equatoriana, representaram um desafio significativo para os clubes brasileiros logo na abertura da Copa Libertadores da América Feminina. Sendo o primeiro representante do país a entrar em campo contra uma equipe anfitriã na atual edição, o Cruzeiro precisou superar o desgaste físico para derrotar a LDU por 2 a 1, em partida realizada na sexta-feira (16), no Estádio Casa Blanca, válida pelo Grupo C da competição continental.

Nos instantes iniciais do confronto, a superioridade técnica das jogadoras brasileiras ficou evidente. A equipe mineira buscou impor seu ritmo e abriu o placar logo aos nove minutos. A experiente atacante Byanca Brasil cobrou uma falta próxima à entrada da área, direcionando a bola com precisão rumo ao ângulo direito. A goleira Liceth Suárez conseguiu tocar de leve na trajetória com as pontas dos dedos, desviando a bola contra o travessão. Atenta ao lance, a lateral Gisseli antecipou-se à marcação defensiva e completou para o fundo das redes, inaugurando o marcador.

A alta intensidade exigida no início do duelo, contudo, cobrou um preço elevado do elenco cruzeirense devido aos efeitos da rarefação do ar. Gradativamente, a LDU assumiu o controle das ações ofensivas. Antes mesmo do término da primeira etapa, era perceptível o desgaste físico acentuado nos rostos das atletas do Cruzeiro, que demonstravam dificuldades evidentes na respiração e na manutenção do ritmo de jogo.

As jogadoras equatorianas intensificaram a pressão e exigiram ao menos duas intervenções providenciais da goleira Camila Rodrigues antes de conseguirem o empate, aos 34 minutos. Após um chute forte da meia Maylin Arreaga da entrada da área pela esquerda que explodiu no travessão, a lateral Justine Cuadra aproveitou o rebote quase na marca do pênalti e finalizou com precisão no canto esquerdo da meta celeste, igualando o placar.

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Poucos minutos depois, a pressão da LDU quase resultou na virada. A atacante Milagro Barahona cabeceou para o gol, balançando as redes novamente para o time da casa aos 39 minutos. Para o alívio da comissão técnica e das jogadoras cruzeirenses, a arbitragem de vídeo revisou a jogada e apontou que, no início da construção do lance pela esquerda, a bola havia ultrapassado a linha lateral após chute de Arreaga, invalidando o tento.

Resistência física e eficiência no segundo tempo

O panorama da partida na etapa complementar manteve o roteiro do final do primeiro tempo. A LDU continuou acelerando a circulação de bola, enquanto o Cruzeiro, visivelmente esgotado pelo esforço físico, priorizou a compactação defensiva, a retenção de posse para tentar cadenciar o ritmo e os contragolpes baseados na velocidade de Vanessinha e na qualidade técnica de Byanca Brasil.

A estratégia adotada pela comissão técnica deu resultado aos 18 minutos. Marília, uma das principais artiladoras da equipe na temporada, acionou um passe preciso no meio-campo para lançar Byanca Brasil pela faixa esquerda, nas costas da lateral Cuadra. A camisa 10 avançou em velocidade, invadiu a área adversária e finalizou na saída da goleira Suárez, recolocando o time mineiro em vantagem no marcador.

O restante do confronto transformou-se em um teste rigoroso de resistência para o Cruzeiro. A equipe soube administrar a vantagem numérica e tática até o apito final, garantindo os três pontos e assumindo a liderança isolada do Grupo C. Na outra partida da chave realizada no Estádio Casa Blanca, Bolívar, da Bolívia, e Olimpia, do Paraguai, empataram por 2 a 2. Ambas as equipes somam um ponto, enquanto a LDU permanece sem pontuar.

Apesar de não enfrentar diretamente um clube da capital boliviana nesta rodada, o próximo desafio do Cruzeiro também envolverá o fator da altitude. A equipe mineira medirá forças contra o Bolívar em sua próxima partida, lembrando que a sede do clube boliviano está situada em La Paz, a impressionantes 3.650 metros acima do nível do mar. O duelo está programado para esta segunda-feira (19), às 17h, no horário de Brasília, novamente com palco no Estádio Casa Blanca.

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Desafios brasileiros em solo equatoriano

O Cruzeiro não é o único representante do futebol brasileiro a cruzar o caminho de equipes de Quito na fase de grupos da competição continental. O Palmeiras também tem compromissos programados contra um adversário habituado às condições da altitude da capital do Equador.

Na terceira e última rodada do Grupo B, as jogadoras do Palmeiras enfrentarão o Dragonas, equipe feminina vinculada ao Independiente del Valle, no Estádio Banco Guayaquil, às 21h da próxima quarta-feira (21). A partida representará mais um obstáculo técnico e físico para o clube paulista em solo equatoriano.

No entanto, a equipe alviverde poderá chegar a esse compromisso final já com a classificação matematicamente garantida para a fase quartas de final, o que daria margem para a comissão técnica promover o descanso de algumas atletas titulares. Para que isso ocorra, o time brasileiro precisa superar o Belgrano, da Argentina, em partida marcada para este domingo (18), às 17h, no mesmo gramado do Estádio Banco Guayaquil.

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Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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