A educação pública no Paraná está reforçando o protagonismo dos estudantes e a formação cidadã por meio de projetos que conectam o aprendizado às realidades das comunidades. No Colégio Estadual Professor Herbert de Souza, localizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, cerca de 30 alunos do Clube de Ciências Mente em Ação, parte dos Clubes de Ciências do NAPI Paraná faz Ciência, transformaram uma investigação realizada na escola em uma proposta concreta com foco na sustentabilidade: a criação de um ecoponto destinado ao recebimento de materiais recicláveis e resíduos eletrônicos.
A ideia surgiu de pesquisas conduzidas pelos próprios estudantes, que identificaram dificuldades no descarte correto de lixo eletrônico e outros resíduos recicláveis, tanto na escola quanto nas comunidades ao redor. O grupo começou a explorar alternativas para resolver a questão e, após visitas técnicas e ações de conscientização sobre questões ambientais, conseguiu mobilizar o poder público em busca de viabilizar a instalação do espaço.
Um ecoponto é um local destinado à entrega voluntária de materiais que não devem ser descartados no lixo comum, como equipamentos eletrônicos, plásticos, papéis, vidros e outros materiais recicláveis. Essa estrutura ajuda a reduzir o descarte irregular, incentiva a reciclagem e promove a preservação ambiental.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, enfatizou que projetos como este demonstram o potencial transformador da educação, especialmente quando os estudantes adquirem um papel ativo em seus processos de aprendizagem. “Quando a escola se torna um espaço de investigação, participação e comprometimento com a comunidade, os alunos passam a entender que podem contribuir para mudar a realidade ao seu redor. Iniciativas desse tipo unem educação ambiental, cidadania e protagonismo juvenil, formando jovens mais conscientes”, afirmou.
Da pesquisa à proposta
O clube, composto por cerca de 30 estudantes, foi criado para realizar pesquisas científicas e desenvolver projetos que enfrentem os desafios da comunidade escolar e do território em que vivem. Foi nesse ambiente que nasceu a proposta do ecoponto.
Os trabalhos tiveram início com o mapeamento dos resíduos gerados dentro da própria escola. Durante as atividades, os alunos notaram que o descarte de equipamentos eletrônicos era um desafio recorrente. Simultaneamente, perceberam que moradores da região estavam levando tampinhas plásticas para a escola mesmo após o término de uma campanha solidária realizada anteriormente. Essa observação motivou o grupo a ampliar seus estudos sobre reciclagem e gestão de resíduos.
Embora os alunos já realizassem a separação dos materiais recicláveis, enfrentavam dificuldades para encaminhá-los a pontos de coleta adequados. A busca por soluções levou os estudantes a visitar uma estação de reciclagem próxima ao colégio. Essa experiência proporcionou um aprofundamento no entendimento dos impactos ambientais gerados pelo descarte inadequado de resíduos e da importância da reciclagem para a preservação dos recursos naturais.
Kamilly Maria Barros de Moura, de 16 anos, uma das participantes do clube, comentou sobre a relevância do projeto: “Participar do Clube e deste projeto foi muito importante porque aprendemos mais sobre ecologia, reciclagem e, principalmente, sobre a destinação correta do lixo eletrônico. Muitas pessoas não sabem onde descartar esse tipo de material, e o ecoponto pode ajudar a evitar a contaminação do meio ambiente e o acúmulo de resíduos. Além de beneficiar a escola, é uma ação que pode contribuir com toda a comunidade”.
Diálogo com o poder público
A proposta ganhou força quando os estudantes se uniram à Prefeitura de São José dos Pinhais em um esforço para revitalizar rios da região. Durante as atividades, apresentaram diretamente a proposta a representantes do poder público e enfatizaram a necessidade de criar um ecoponto na escola.
A mobilização resultou no envio de um ofício ao município. Desde então, equipes técnicas já realizaram levantamentos preliminares para analisar a viabilidade da implantação da estrutura. Mais do que uma simples ação voltada à reciclagem, a iniciativa tem proporcionado aos estudantes uma vivência prática sobre cidadania, participação social e desenvolvimento de políticas públicas.
A professora Pauline Fernandes, responsável pelo projeto, ressaltou a importância desse processo: “Acompanhar essa trajetória tem sido uma experiência enriquecedora para toda a comunidade escolar. Ver os alunos dialogando com representantes do poder público, apresentando propostas e buscando soluções para problemas reais é extremamente gratificante. Eles passam a entender que podem atuar como agentes de transformação e que a ciência pode gerar impactos concretos na sociedade e no meio ambiente”.
Outras iniciativas
Além da proposta do ecoponto, o Clube de Ciências Mente em Ação também desenvolve outras iniciativas voltadas à sustentabilidade, ao bem-estar e à inclusão. Um dos projetos em andamento é o Jardim das Sensações, que atualmente se encontra na fase de pesquisa e levantamento bibliográfico para seleção das espécies vegetais que irão compor uma horta sensorial na escola.
A proposta visa criar um espaço acolhedor e de contato com a natureza, especialmente pensado para estudantes autistas ou que sofram de ansiedade, proporcionando um ambiente tranquilo para momentos de regulação emocional. O espaço contará com plantas escolhidas por suas características sensoriais, visando promover conforto e bem-estar, além de contribuir para a diminuição do estresse.
Celebrado anualmente em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de mobilizar governos, instituições e cidadãos em torno da preservação dos recursos naturais e promoção de práticas sustentáveis. No Paraná, ações como a desenvolvida pelos estudantes do Colégio Estadual Professor Herbert de Souza demonstram como a educação ambiental pode ir além das fronteiras da sala de aula e trazer benefícios concretos para toda a comunidade. Ao transformar conhecimento em ação, os jovens mostram que iniciativas simples podem resultar em grandes mudanças e contribuir para a construção de um futuro mais sustentável.
Fonte:: parana.pr.gov.br


