EUA impõem tarifa adicional de 12,5% sobre arroz, mel e etanol brasileiros

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Cnnbrasil.com.br

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou oficialmente a aplicação de uma nova sobretaxa de 12,5% voltada especificamente para um grupo de produtos originários do Brasil. A decisão governamental norte-americana chega ao seu desfecho após a conclusão da chamada investigação da Seção 301, um instrumento legal do país que analisou minuciosamente políticas e práticas comerciais associadas ao trabalho forçado em território brasileiro.

Com a implementação desta tarifa adicional, setores tradicionais do agronegócio nacional sentem o peso imediato da medida. Entre os itens mais afetados e que constam diretamente na lista de taxação estão o mel, o arroz e o etanol. Diante da nova alíquota imposta por Washington, a carga tributária total incidente sobre a comercialização desses produtos específicos no mercado norte-americano pode disparar e alcançar o patamar de até 37,5%. O cenário acende um alerta vermelho e representa um obstáculo comercial de relevo para os exportadores e produtores brasileiros voltados ao mercado externo.

Itens estratégicos escapam da sobretaxa

Apesar do impacto sentido por parte dos produtores rurais, a lista final divulgada pelo governo dos Estados Unidos contemplou importantes exceções, preservando alguns dos principais produtos que lideram a pauta de exportações do agronegócio do Brasil. Entre os artigos que conseguiram escapar da taxação punitiva estão a carne bovina, os artefatos produzidos em couro, os insumos e mercadorias destinados à nutrição animal, além do suco de laranja, um dos grandes carros-chefes das vendas brasileiras para os norte-americanos.

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Adicionalmente, o café solúvel também teve a sua isenção plenamente confirmada pelas autoridades dos Estados Unidos. A notícia trouxe alívio e colocou um ponto final em um período de intensa incerteza e especulação que pairava sobre o setor produtivo nacional, que aguardava ansiosamente por um posicionamento definitivo do governo estrangeiro a respeito do tratamento alfandegário que seria dado ao produto.

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Acusações sobre desmatamento e reação oficial

A ofensiva tarifária veio precedida por declarações polêmicas no cenário político internacional. Pouco antes do anúncio oficial das medidas, Jamieson Greer, representante de comércio dos Estados Unidos, utilizou um discurso direcionado a senadores norte-americanos para associar diretamente o desmatamento no Brasil a uma suposta vantagem competitiva desleal concedida ao desenvolvimento econômico do país sul-americano.

Esse argumento específico foi incorporado formalmente ao relatório da investigação comercial e funcionou como uma das bases para justificar a imposição das novas tarifas. A postura gerou uma reação imediata e contundente do governo brasileiro, que contestou enfaticamente as premissas adotadas por Washington.

Em entrevista concedida ao programa CNN Agro, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, rebateu sem meias palavras as declarações feitas por Greer. De acordo com o ministro, o governo brasileiro sequer teve acesso a relatórios embasados. “Nós não recebemos nenhum documento técnico com as bases que justificam essas afirmações”, pontuou o titular da pasta ambiental, destacando que, na ausência de documentos técnicos com dados concretos e verificáveis, torna-se inviável realizar uma análise aprofundada ou contrapor tecnicamente as alegações.

Para o ministro, a condução do processo evidencia motivações que vão muito além de discussões estritamente técnicas ou comerciais. “O que fica evidente é que não se trata aqui de esclarecer fatos concretos, não se trata aqui de mostrar que não procede a afirmação que o desmatamento favorece a atividade econômica no Brasil em detrimento da atividade norte-americana, não existe isso”, declarou Capobianco de forma categórica durante a entrevista.

Capobianco fez questão de ressaltar que o governo do Brasil enviou às autoridades dos Estados Unidos farta documentação técnica fundamentada, amparada por evidências científicas comprovadas e por dados rigorosamente auditados que atestam exatamente o oposto do que foi veiculado pelos representantes americanos. Na visão do governo brasileiro, diante da robustez dos dados apresentados, fica patente que a motivação por trás das sanções comerciais não se apoia na realidade dos fatos.

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Fonte:: cnnbrasil.com.br

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