De acordo com projeções do FGV/Ibre, o superávit da balança comercial do Brasil em 2026 deve ficar entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões. Essa estimativa foi divulgada no boletim do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) de abril e considera que o conflito no Oriente Médio não se prolongará para o segundo semestre do ano, além de que o presidente Donald Trump não trará novas surpresas que possam afetar o cenário econômico global.
O Icomex também revelou que o saldo da balança comercial em abril foi de US$ 10,5 bilhões, levando o superávit acumulado no ano até agora a US$ 24,8 bilhões, um aumento de US$ 7,5 bilhões em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os principais parceiros comerciais do país, destacam-se a China, que teve um ganho de US$ 7,3 bilhões, e a União Europeia, com um aumento de US$ 1,4 bilhão no saldo comercial.

Em contrapartida, os Estados Unidos apresentaram um aumento no déficit, que subiu de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,4 bilhão. Também a Argentina viu seu superávit cair de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões no mesmo período.
Na comparação do acumulado do ano até abril, as exportações para o Oriente Médio aumentaram 2,3%, enquanto as importações cresceram 11,6%. Ao observar a variação entre os meses de abril de 2025 e 2026, as exportações caíram 3,5% e as importações diminuíram 1,0%.
O estudo do FGV/Ibre destaca que os próximos meses serão decisivos para determinar qual direção as tendências comerciais irão tomar, dependendo do desenvolvimento do conflito na região. A instabilidade gerada pela guerra no Irã pode ter impactos significativos no mercado de petróleo e, consequentemente, nas vendas brasileiras para o Oriente Médio, em especial de produtos como carnes de frango e bovina, milho, além de adubos, fertilizantes e óleos combustíveis.
Desempenho das exportações
As exportações totais do Brasil tiveram um crescimento de 14,3% em valor, enquanto as importações subiram 6,2%, quando comparadas ao mês de abril do ano anterior. No acumulado do ano até abril, as exportações cresceram 9,2% em valor, e as importações tiveram um aumento de 2,5%.
Analisando o volume, no acumulado do ano, o crescimento das exportações superou o aumento dos preços. Entretanto, ao comparar os dados entre os meses de abril de 2025 e 2026, os preços das exportações subiram 7,6%, enquanto o volume teve um aumento de 6,2%. Nos casos das importações, observa-se que os preços cresceram no acumulado, mas o volume teve uma leve queda de 0,4%. No mês de abril, tanto os preços (3,7%) quanto o volume (2,5%) das importações aumentaram.
O boletim ressalta ainda que o comportamento dos preços das commodities teve um papel importante nos resultados globais e no comércio com a China, especialmente nas exportações. Os preços das commodities exportadas aumentaram 0,5% até abril, com um crescimento ainda mais acentuado de 7,6% na comparação mensal de abril.
De maneira semelhante, também houve elevação nos preços das commodities importadas, que subiram 40,2% em abril. Os produtos não commodities exportados apresentaram um aumento de preços superior ao dos produtos não commodities importados. Contudo, a tendência futura a ser observada é incerta, uma vez que não se sabe se o aumento dos preços das commodities exportadas ou importadas irá prevalecer.
Fonte: infomoney.com.br


