EUA retiram bombardeiros de base no Reino Unido após novas ameaças

Marcelo Borges
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Foto: Divulgação / Foto: Eric Schmitt (The New York Times)

Os Estados Unidos realizaram uma operação de retirada emergencial no fim de semana, removendo todos os 12 bombardeiros B-1 da Força Aérea de uma instalação militar no sul da Inglaterra. A decisão ocorreu após os comandantes militares receberem novas ameaças referentes a um suposto complô apoiado pelo Irã contra a base, conforme relataram autoridades americanas.

A movimentação foi considerada altamente incomum por especialistas em defesa, uma vez que medidas dessa magnitude raramente são executadas com tanta rapidez a partir de uma base aliada situada em território pacífico, a milhares de quilômetros de distância de zonas ativas de conflito.

Operação de urgência e retorno aos Estados Unidos

A necessidade de evacuar os bombardeiros da base da RAF Fairford apresentou um caráter de urgência tão elevado que algumas aeronaves e suas respectivas tripulações decolaram antes mesmo que o suporte de reabastecimento aéreo estivesse totalmente mobilizado para acompanhar o trajeto de retorno à América do Norte. Até o domingo, pelo menos três desses aviões já haviam aterrissado em sua base de origem, localizada em Dakota do Sul, de acordo com fontes oficiais que preferiram manter o anonimato devido à sensibilidade operacional do tema.

O Comando Europeu do Pentágono emitiu uma declaração no domingo confirmando que as aeronaves deixaram o solo britânico, embora tenha optado por não comentar diretamente a respeito de novos alertas de segurança.

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“Podemos confirmar agora que todos os bombardeiros dos EUA que estavam destacados na RAF Fairford estão sendo remanejados para suas bases de origem nos Estados Unidos”, apontou a nota oficial. “Os bombardeiros da Força Aérea dos EUA operam rotineiramente em todo o mundo para apoiar a prontidão das forças globais e os requisitos operacionais.”

Investigações e prisões na Grã-Bretanha

Representantes do governo americano abstiveram-se de detalhar a natureza exata das novas informações que impulsionaram a evacuação imediata. Parte da frota havia chegado ao local na semana anterior como parte de uma rotação regular de pessoal e equipamentos. Contudo, relatos indicam que, embora os indícios façam parte do mesmo conjunto de alertas obtidos há três semanas, o grau de especificidade e o senso de perigo iminente se intensificaram de forma drástica nas últimas horas.

A saída repentina dos bombardeiros acontece exatamente uma semana após a polícia britânica efetuar a prisão de cinco homens interceptados nas proximidades da base aérea a bordo de vans brancas. A instalação tem sido utilizada por forças americanas no contexto da guerra travada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Embora os suspeitos tenham sido liberados sob fiança após uma varredura policial não encontrar explosivos nos veículos, as autoridades locais ressaltaram que as investigações continuam ativas. Adicionalmente, um indivíduo com dupla cidadania britânica e iraniana foi detido sob a suspeita de envolvimento na preparação de atos terroristas.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, declarou publicamente que o governo do Reino Unido trabalha com a convicção de que Teerã teve participação direta no planejamento das ações sob escrutínio. Governos ocidentais, incluindo Alemanha e Israel, associam as operações à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ou a comandos militares autônomos na capital iraniana, alegações veementemente negadas pelas autoridades do país persa.

Histórico de tensões e alertas de inteligência

O episódio gerou uma série de desafios logísticos e de segurança para as autoridades britânicas, incluindo a evacuação temporária de dezenas de residências vizinhas, o emprego de robôs antiexplosivos para a inspeção dos veículos abordados e reuniões de emergência do comitê de segurança nacional convocadas por Burnham.

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A hostilidade em torno da presença militar americana na região não é recente. Em julho, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu um comunicado oficial advertindo que permitir o uso de bases no Reino Unido para operações militares tornava Londres corresponsável pelos atos. O texto enfatizava que qualquer instalação de apoio a ofensivas contra o território iraniano seria tratada como alvo legítimo.

Meses depois, em setembro, agências de inteligência ocidentais repassaram avisos considerados alarmantes aos comandantes militares dos EUA, apontando a RAF Fairford como alvo potencial de uma ofensiva patrocinada por Teerã. Informações colhidas por meio de interceptações de comunicações e redes de informantes permitiram desenhar os contornos da suposta conspiração. O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, também confirmou ter compartilhado alertas com Londres sobre riscos de ataques que poderiam envolver o uso de drones.

O avanço das investigações e a confirmação de riscos potenciais evidenciam a crescente preocupação de agências de segurança na Europa, com autoridades apontando riscos elevados inclusive para bases militares americanas situadas na Alemanha, como as instalações de Spangdahlem e Ramstein, consolidando o cenário de forte retaliação internacional.

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Fonte:: estadao.com.br

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