ENVIADO ESPECIAL A WASHINGTON – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne na Casa Branca nesta quinta-feira, dia 7, em um encontro crucial, embora não tenha esperanças de sair com acordos formais estabelecidos com os Estados Unidos. Durante a visita, Lula fará um apelo ao presidente Donald Trump para que não reimplante tarifas sobre as exportações brasileiras.
A tarifa global de 10% atualmente aplicada deve expirar em julho, após ter sido instaurada provisoriamente, após a Suprema Corte americana ter anulado um tarifaço anterior de 40% que afetou o Brasil por motivações políticas. O Palácio do Planalto planeja uma “ação preventiva” com Trump, acreditando que a possibilidade de um novo tarifaço é iminente e que a decisão cabe ao presidente americano.
O presidente brasileiro está preparado para discutir a importância da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, abordando as investigações comerciais abertas no âmbito da seção 301 da Lei de Comércio americana. Tais investigações envolvem questões como pix, etanol, tarifas preferenciais, corrupção, pirataria e desmatamento, além de trabalho forçado.
Os principais representantes das negociações estarão presentes na conversa, onde Lula tentará persuadir Trump a desistir do tarifaço. A equipe americana contará com o vice-presidente JD Vance, a chefe de Gabinete Susie Wiles, o representante comercial Jamieson Greer, e os secretários do Tesouro Scott Bessent e do Comércio Howard Lutnick.
Por parte brasileira, Lula se fará acompanhar pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Wellington César (Justiça e Segurança), e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Além disso, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também estará na comitiva.
O governo brasileiro notou com preocupação que não há integrantes do Departamento de Estado entre os participantes americanos, um órgão que possui uma postura hostil a Lula, nem mesmo representantes da Secretaria de Agricultura.
Os membros do governo enfatizam que, mesmo sem acordos concretos, a reunião possui significado político para o Brasil. Além da importância simbólica do encontro e da proteção eleitoral, é considerada uma defesa dos interesses nacionais diante de um governo que, segundo eles, “atacou” o Brasil.
Além da questão tarifária, Lula almeja discutir com Trump a questão dos minerais críticos e apresentará uma proposta atualizada para o combate ao crime organizado, focada em colaboração contra o tráfico de armas e em inteligência financeira, direcionada à alta criminalidade.
O governo brasileiro está ciente da intenção de Trump em classificar facções como o PCC e o CV como organizações terroristas, independentemente das posições de Lula. Não há garantias de que o presidente republicano desistirá desse plano.
Ainda não está claro para os assessores de Lula o motivo pelo qual Trump decidiu convidá-lo agora e agendar essa visita de trabalho, que acontecerá sem formalidades excessivas. Os líderes terão um almoço conjunto, acompanhados por suas comitivas oficiais.
Na sexta-feira anterior ao encontro, Trump se comunicou com Lula de forma amistosa, com o intuito de confirmar a visita que estava em negociações há meses e que havia sido adiada desde março.
O setor privado está acompanhando atentamente as discussões entre os presidentes. Entre os empresários presentes em Washington, destaca-se Joesley Batista, da JBS, que recentemente foi alvo de investigações do governo americano. Desde o ano passado, ele colaborou em ações para estreitar as relações entre Lula e Trump, conforme reportado pelo Estadão. Joesley chegou à capital americana em um voo comercial oriundo de São Paulo na quarta-feira, dia 6.
Fonte: estadao.com.br


