Ex-técnico relembra emoção e bastidores do acesso do Paraná Clube em 2017

Marcelo Borges
7 min. de leitura
Elenco do Tricolor que conquistou o acesso em 2...

O treinador Lisca abriu o coração recentemente ao relembrar a sua passagem pelo Paraná Clube durante a campanha que culminou no acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, no ano de 2017. Em uma participação recente no podcast Do Instinto à Consciência, o profissional compartilhou detalhes marcantes daquela época e revelou episódios de forte carga emocional vividos nos bastidores do Tricolor.

Um dos momentos mais marcantes citados pelo técnico ocorreu durante uma atividade voltada aos atletas que não haviam sido relacionados para a partida do final de semana. Segundo Lisca, a dedicação e a intensidade demonstradas pelo grupo naquele treinamento específico o tocaram profundamente, a ponto de não conter as lágrimas à beira do gramado da Vila Capanema.

O comandante explicou que costumava acompanhar de perto todas as atividades dos jogadores que ficavam fora da lista de convocados, muitas vezes participando ativamente da orientação ao lado de sua comissão técnica. Contudo, em uma determinada ocasião, ele optou por apenas observar e acabou se surpreendendo com o comprometimento do plantel.

“Eu ia a todos os treinos dos não relacionados e dava o treino junto com o auxiliar. Em um deles, eu não dei e fiquei olhando. Eu chorei vendo o treino. Chorei pela entrega dos caras, pelo jeito como estavam treinando”, recordou o treinador durante a entrevista.

- Publicidade-

Diante da forte emoção, Lisca paralisou a atividade no meio e fez questão de externar o sentimento aos atletas, destacando que a postura profissional deles em um momento de ausência nos jogos principais era algo raro e de valor inestimável para o clube.

“Olhem aqui, eu estou chorando. Sabe por quê? Por causa disso que estou vendo. Ninguém aqui está no jogo e vocês estão treinando para caramba. Isso não tem preço”, revelou ter dito aos jogadores na oportunidade.

Lisca relembra dúvida antes de aceitar o Paraná Clube

A chegada de Lisca ao Paraná Clube aconteceu em um contexto delicado. Meses antes, o treinador havia vivido uma experiência traumática no comando do Internacional, sendo contratado nas últimas rodadas do Brasileirãode 2016 sem conseguir evitar o primeiro rebaixamento da história do clube gaúcho.

Por conta desse episódio recente, o técnico confessou que hesitou consideravelmente antes de aceitar o convite para dirigir a equipe paranista, que também lutava contra a degola na parte inferior da tabela da Série B.

“Eu cheguei e o Paraná estava em 16º. Me chamaram e falaram: ‘Não deixa cair, pelo amor de Deus’. Era a Série B de 2017, logo depois de eu ter caído naqueles três jogos no Internacional. Então, fiquei na dúvida: ‘Vou ou não vou? De novo esse negócio de cair, só que agora na Série B’. Aí falei: ‘Deixa eu assistir a um jogo’. Assisti, gostei e decidi ir”, contou.

- Publicidade-

Registros históricos da competição apontam pequenas variações sobre a exata posição do clube no momento das primeiras conversas — o Tricolor figurava na 15ª colocação antes de aplicar uma goleada por 4 a 1 sobre o Brasil de Pelotas, na Vila Capanema. Embora já estivesse na capital paranaense e acompanhado o duelo de um dos camarotes, a efetivação de Lisca ocorreu logo após o confronto. A partir daí, a equipe embalou uma sequência positiva, alcançando rapidamente a sétima colocação e ingressando no G4 na 24ª rodada.

Técnico destaca crescimento da torcida na Vila Capanema

Outro ponto bastante enfatizado por Lisca foi a impressionante comunhão entre o time e a torcida paranista durante aquela arrancada na Série B. Para o treinador, o engajamento gradual dos torcedores transformou o estádio da Vila Capanema em um verdadeiro caldeirão e impulsionou o rendimento dos atletas dentro de campo.

“A torcida do Paraná, que ninguém conhece muito, é apaixonada. No meu primeiro jogo na Vila Capanema havia 3 mil pessoas e ganhamos por 4 a 1 do Brasil de Pelotas. No segundo, já havia 10 mil. No terceiro, 15 mil, lotou e aquilo virou uma loucura”, pontuou.

- Publicidade-

O comandante reforçou que a união de forças entre comissão técnica, jogadores, diretoria e torcida foi o grande diferencial para que o clube desse um salto expressivo na tabela em um intervalo curto de tempo.

“Em seis rodadas, saímos de 16º e já estávamos em sexto. O time era bom para caramba. Os jogadores compraram a minha bronca, eu comprei a deles, e a torcida e a imprensa entraram juntas”, complementou.

Passagem terminou antes da confirmação do acesso

Apesar da forte identificação construída e do impacto imediato de seu trabalho, a passagem de Lisca pelo Paraná Clube durou apenas 46 dias. Ao todo, o técnico este à frente da equipe em oito partidas, acumulando quatro vitórias, três empates e apenas uma derrota.

A saída do treinador ocorreu no início do mês de setembro, na sequência de divergências internas e de um desentendimento com integrantes da comissão técnica permanente, mais especificamente envolvendo o então auxiliar Matheus Costa.

Mesmo com a mudança no comando técnico, a base do trabalho e a atmosfera mobilizada naquele período continuaram rendendo frutos. Sob a batuta do próprio Matheus Costa, que assumiu a vaga deixada por Lisca, o Paraná Clube manteve o ritmo consistente e concluiu a Série B na quarta colocação, garantindo o aguardado retorno à elite do futebol brasileiro após uma década de ausência.

View this post on Instagram

A post shared by Do Instinto à Consciência (@instintoaconsciencia)

Fonte:: umdoisesportes.com.br

Compartilhe esta notícia