O estado do Paraná tem intensificado uma série de iniciativas estratégicas na área de vigilância e atenção à saúde com a meta clara de eliminar, até o ano de 2030, a sífilis congênita. Essa condição ocorre por meio da chamada transmissão vertical, processo em que a bactéria causadora da infecção passa da gestante para o bebê durante o período de gravidez ou no momento do parto. Informações consolidadas pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação, o Sinannet, e divulgadas no boletim epidemiológico mais recente da Secretaria de Estado da Saúde, a Sesa, mostram que entre janeiro de 2015 e julho de 2026 foram contabilizados 33.999 casos da infecção em mulheres grávidas e 9.649 ocorrências de sífilis congênita em solo paranaense.
No mesmo intervalo temporal, os registros oficiais também apontaram um total de 119.696 casos confirmados de sífilis adquirida, forma da infecção que se propaga primordialmente por meio de relações sexuais sem o uso de preservativos.
Provocada pelo agente bacteriano Treponema pallidum, a sífilis caracteriza-se como uma infecção sexualmente transmissível de caráter sistêmico. Trata-se de uma condição que possui cura e cuja transmissão se dá principalmente pelo contato íntimo desprotegido, além da via vertical. O aumento contínuo observado nas taxas de detecção da sífilis adquirida ao longo dos últimos anos decorre, em grande medida, da facilidade de acesso aos métodos diagnósticos por parte da população. Essa facilitação foi possível graças à expansão da oferta de testes rápidos no âmbito da Atenção Primária à Saúde e ao aprimoramento na qualidade dos registros de notificações, o que viabiliza a identificação de quadros clínicos que antigamente passavam despercebidos.
Embora o tratamento com a administração de Penicilina G Benzatina seja altamente eficaz, disponibilizado de maneira gratuita pelo Sistema Único de Saúde e conte com métodos diagnósticos simples, a enfermidade continua a representar um desafio persistente para as autoridades sanitárias. O mapeamento da distribuição geográfica demonstra uma concentração acentuada das ocorrências nos grandes centros urbanos do estado. Já o perfil sociodemográfico revela que a patologia acomete predominantemente adultos jovens que se encontram em idade reprodutiva e mantêm vida sexual ativa, registrando maiores proporções entre homens e indivíduos que possuem o ensino médio concluído.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, enfatiza a importância das medidas preventivas e diagnósticas. A ampliação do diagnóstico na rede básica e o acesso facilitado aos testes rápidos são conquistas fundamentais, mas a superação desse desafio exige o engajamento contínuo da sociedade. É preciso combater o estigma em torno da saúde sexual, incentivar o uso do preservativo e assegurar que as parcerias sexuais também sejam tratadas, garantindo o rompimento definitivo da cadeia de transmissão, destacou a gestora.
A importância central do pré-natal
A prevenção efetiva da transmissão de mães para filhos demanda vigilância redobrada por parte de toda a rede assistencial. A sífilis congênita pode acarretar consequências gravíssimas para o desenvolvimento da criança, compreendendo quadros de malformações congênitas, baixo peso ao nascer, prematuridade, ocorrência de abortamentos, natimortalidade e até mesmo o óbito neonatal.
A identificação precoce da enfermidade durante o acompanhamento de pré-natal consolida-se como a principal ferramenta para afastar esses desfechos desfavoráveis. Atualmente, mais da metade dos diagnósticos em gestantes no Paraná é realizada ainda no primeiro trimestre gestacional, o que viabiliza a intervenção médica em tempo oportuno. Contudo, diagnósticos efetuados tardiamente, seja no terceiro trimestre ou no ato do parto, ainda configuram oportunidades perdidas de proteção ao feto, cenário que precisa ser ativamente evitado pelas equipes de saúde.
Por ser classificada cientificamente como um evento sentinela e atuar como um indicador direto da qualidade dos serviços prestados no pré-natal, a persistência da sífilis congênita evidencia falhas estruturais. Entre os principais gargalos estão o início tardio do acompanhamento médico, erros na prescrição das dosagens terapêuticas corretas e a ausência de tratamento simultâneo para os parceiros sexuais, fator que invariavelmente provoca a reinfecção da gestante.
Para combater de maneira direta esses entraves, as diretrizes da saúde estadual orientam formalmente a realização de exames rápidos logo no primeiro trimestre do pré-natal, no início do terceiro trimestre de gestação e no momento da internação hospitalar para o parto, além de intensificar as ações de busca ativa direcionada aos parceiros.
A sífilis congênita é uma condição totalmente evitável quando há o acompanhamento pré-natal adequado. O compromisso do estado é estruturar cada vez mais a Atenção Primária à Saúde para que a gestante e seu parceiro sejam diagnosticados e tratados de forma imediata, garantindo proteção integral ao recém-nascido desde os primeiros meses de gestação, reforçou a diretora Maria Goretti David Lopes.
Estratégias de prevenção combinada
As diretrizes e estratégias de saúde pública adotadas no Paraná encontram-se plenamente alinhadas ao conceito de Prevenção Combinada. Esse modelo articula frentes diversificadas para o controle efetivo da doença, englobando a distribuição e a aplicação descentralizada do teste rápido duplo, que permite diagnosticar simultaneamente tanto o HIV quanto a sífilis. O planejamento também contempla a articulação com a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV, a facilitação e ampla distribuição de preservativos, a agilidade na condução terapêutica com a aplicação imediata da Penicilina G Benzatina na rede básica logo após a confirmação laboratorial, e a capacitação contínua de profissionais por meio de treinamentos específicos para qualificar a notificação de dados e investigar óbitos fetais e infantis através de comitês regionais e municipais.
Como forma de reconhecimento pelo esforço conjunto empreendido entre o governo estadual e as administrações municipais, o Paraná foi agraciado pelo Ministério da Saúde com o Selo Bronze de Boas Práticas Rumo à Eliminação da Transmissão Vertical da Sífilis Congênita. Diversas localidades paranaenses também obtiveram certificações oficiais e medalhas em virtude do desempenho apresentado na área, com destaque para os municípios de Curitiba, Guarapuava, Toledo, São José dos Pinhais, Pinhais, Umuarama, Apucarana, Arapongas e Araucária.
Fonte:: saude.pr.gov.br


