O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que voltará a cumprir agendas diplomáticas internacionais nos próximos dias, intensificando os compromissos na reta final de 2026. Entre as paradas programadas estão eventos multilaterais de grande relevância global, com destaque para a cúpula do G20, que acontecerá nos Estados Unidos sob a liderança do presidente norte-americano, Donald Trump.
A confirmação da participação do chefe do Executivo brasileiro nos eventos internacionais ocorreu após conversas com a equipe de transição e o Ministério das Relações Exteriores. Antes de viajar aos EUA para se encontrar com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o ministro Mauro Vieira esteve reunido com o mandatário no Palácio da Alvorada para alinhar os preparativos da comitiva oficial.
A rota diplomática abrange passagens pela Turquia, Filipinas, Uruguai e Estados Unidos, desdobrando-se em um cenário de divergências pontuais com as administrações de Donald Trump e de Javier Milei, na Argentina. Veja os principais eventos da agenda:
- COP31: conferência sobre mudanças climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada em Antália, na Turquia, nos dias 11 e 12 de novembro;
- Asean: assembleia da Associação das Nações do Sudeste Asiático, sediada em Manila, nas Filipinas, entre 14 e 15 de novembro;
- Mercosul: reunião de cúpula do bloco sul-americano em Montevidéu, no Uruguai, agendada para os dias 4 e 5 de dezembro;
- G20: fórum de cooperação econômica internacional com os líderes das maiores economias mundiais, nos Estados Unidos, no mês de dezembro.
Cúpula do Mercosul pode viabilizar diálogo entre Lula e Milei
Durante o encontro do Mercosul na capital uruguaia, existe a expectativa de que Lula mantenha contato direto com o presidente argentino, Javier Milei, caso o líder vizinho confirme presença no evento regional.
Conhecido por suas críticas frequentes ao formato atual do bloco, Milei optou por não comparecer à cúpula anterior, sediada em Assunção, no Paraguai, no mês de junho. O governante argentino defende maior flexibilidade nas transações comerciais entre os países membros, sob o argumento de que as normativas vigentes limitam o potencial econômico de seu país.
As relações bilaterais enfrentaram atritos ao longo do ano em razão de declarações públicas do líder argentino em relação ao governo brasileiro. O episódio resultou na convocação temporária do embaixador do Brasil em Buenos Aires para consultas em território nacional, medida correspondente à adotada pela chancelaria argentina.
Representantes da diplomacia brasileira apontam que ainda não há ambiente político favorável para normalizar o envio de representantes diplomáticos em caráter definitivo, sobretudo diante de especulações envolvendo o apoio do governo de Buenos Aires na saída de Flávio Bolsonaro (PL) do país.
Até o momento, a administração argentina não emitiu nota formal cumprimentando Lula pelo resultado do pleito presidencial.
Além da tratativa política, as discussões técnicas do bloco sul-americano buscam consensos sobre a alocação de cotas de exportação com vantagens tarifárias voltadas à União Europeia. Em Assunção, o bloco também formalizou o início das tratativas com o governo japonês visando um futuro tratado de cooperação econômica.
Encontro no G20 marca retomada de diálogo com os Estados Unidos
A participação na cúpula do G20 em território norte-americano representará a primeira oportunidade de contato presencial entre Lula e Donald Trump após os desdobramentos diplomáticos recentes ligados à viagem de Flávio Bolsonaro ao exterior.
Apesar da confirmação da presença de ambos no fórum multilateral, a assessoria presidencial informou que ainda não há uma reunião bilateral específica agendada entre os dois chefes de Estado.
De acordo com apuração veiculada pelo jornal The New York Times, o deslocamento do senador brasileiro contou com respaldo político de aliados do governo dos Estados Unidos. A publicação detalhou que o jato executivo utilizado no transporte da família rumo a Miami teve apoio logístico atribuído a Jason Miller, assessor ligado à comunicação da Casa Branca.
Trump ainda não formalizou cumprimentos ao presidente brasileiro pela vitória nas urnas. Recentemente, o líder americano fez comentários públicos questionando a lisura do processo eleitoral brasileiro, embora tenha ponderado que nutre simpatia pessoal e mantém um canal de diálogo aberto com o líder do Brasil.
O último encontro entre os dois mandatários aconteceu em maio, durante uma visita oficial do presidente brasileiro à capital norte-americana. Na ocasião, a reunião bilateral estendeu-se por cerca de três horas e foi avaliada por ambas as partes como altamente produtiva.
Fonte:: ric.com.br


