A 16ª edição do Festival de Cinema de Futebol, conhecido como Cinefoot, consagrou produções de destaque que unem a paixão pelo esporte a importantes recortes sociais, históricos e culturais. Entre os principais vencedores do evento, a obra Copinha, com direção de Joaquim Salles, brilhou ao conquistar o prêmio de Melhor Filme na mostra competitiva internacional dedicada aos longas-metragens.
O jovem diretor carrega no sangue a tradição audiovisual de sua família. Ele é sobrinho do renomado cineasta Walter Salles, que alcançou grande projeção internacional e levou o prêmio de Melhor Filme Internacional no Oscar com Ainda Estou Aqui, além de ser filho do aclamado documentarista João Moreira Salles.
O festival, que promove a cultura cinematográfica com foco na temática esportiva, realizou exibições gratuitas para o público. Os filmes selecionados puderam ser conferidos em quatro salas diferentes na cidade do Rio de Janeiro, em uma programação que se estendeu da quinta-feira da semana anterior até a terça-feira seguinte. Paralelamente, o tradicional Museu do Futebol, localizado na capital paulista, também abrigou sessões especiais entre a sexta-feira e a segunda-feira do mesmo período.
O documentário vitorioso dirigido por Joaquim Salles narra a inspiradora trajetória do Esporte Clube Macapá, tradicional agremiação da capital amapaense, durante a sua participação na edição de 2024 da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Considerada a principal competição da categoria sub-20 no planeta, a Copinha serve como grande vitrine para novos talentos do esporte bretão.
A produção cinematográfica aborda com sensibilidade a luta árdua por visibilidade enfrentada por jovens atletas que nasceram e crescem em regiões geograficamente distantes dos grandes centros econômicos e esportivos do país. Para alcançar o topo da premiação internacional, a obra brasileira superou concorrentes de peso vindos de países como Argentina, Espanha e Reino Unido. O vencedor da categoria foi escolhido diretamente pelo público, através de votação popular.
A campanha histórica do Macapá
Durante a campanha na competição de base em 2024, o Esporte Clube Macapá demonstrou muita garra dentro dos gramados. A equipe amapaense estreou com uma vitória expressiva sobre o Potyguar Seridoense, do Rio Grande do Norte. Na sequência da fase de grupos, o time do Norte do país conseguiu empates importantes contra o Flamengo de Guarulhos, equipe paulista que atuava como anfitriã do Grupo 29, e contra o tradicional Club de Regatas Vasco da Gama.
Com esses resultados, o clube do Amapá garantiu uma classificação histórica ao terminar a primeira fase na segunda colocação de sua chave. A caminhada na Copinha chegou ao fim na fase seguinte, quando a equipe acabou superada e eliminada pelo Ibrachina, clube sediado na capital paulista e reconhecido pelo forte trabalho voltado para as categorias de base.
Outros destaques da premiação
Além do triunfo de Copinha, o festival premiou outras obras de relevância na cinematografia esportiva. Na categoria de Melhor Curta-Metragem da mostra competitiva internacional, o troféu ficou com Camisa 9, com direção assinada por Guilherme Baptista. O curta documenta a relevância histórica de três jornalistas negros da família Baptista — Orlando e seus filhos Luiz Orlando e Oswaldo —, que revolucionaram o jornalismo esportivo televisivo na década de 1980 ao introduzir um tom de irreverência e forte representatividade nas tradicionais mesas-redondas da televisão.
Outro momento marcante da cerimônia foi a entrega do Troféu João Saldanha, honraria concedida a produções que conseguem resgatar e evidenciar o lado humano, libertário e democrático do futebol. O vencedor desta categoria foi o documentário Coligay, dirigido em conjunto por Guto Franco e Murilo Megale. O filme relembra a criação e o impacto de uma torcida organizada do Grêmio que entrou para a história por ter sido a primeira 100% formada por pessoas gays no Brasil, surgida em meio ao período da ditadura militar.
Por fim, o Troféu Museu da Pelada foi entregue ao documentário Várzea, dirigido por D’Andrade. A obra audiovisual resgata as memórias afetivas do futebol amador praticado tradicionalmente nos campos de terra batida espalhados pelas periferias — a verdadeira várzea —, além de fazer um registro melancólico sobre o desaparecimento gradual desses importantes espaços de convivência comunitária e prática esportiva.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


