Futebol brasileiro lamenta o falecimento de Jackson aos 102 anos de idade

Marcelo Borges
6 min. de leitura
Foto: Jackson Nascimento é lenda do Athletico.

O mundo do futebol brasileiro amanheceu de luto com a confirmação da morte de Jackson Nascimento, ex-meia-atacante que se consagrou como uma das maiores lendas da história do Club Athletico Paranaense e teve passagem marcante pelo Sport Club Corinthians Paulista. O ex-jogador faleceu aos 102 anos de idade, enquanto dormia de forma tranquila e sem sentir dor, no município de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, onde residia.

Nascido em 1924, ano em que o Athletico foi fundado, Jackson construiu uma trajetória inconfundível que se confunde com a própria história da instituição rubro-negra. Vestindo a camisa do Furacão entre 1944 e 1957, ele acumulou 215 partidas disputadas e balançou as redes 150 vezes, marca que o consagra de forma isolada como o segundo maior artilheiro de todos os tempos do clube paranaense, ficando atrás apenas de Sicupira.

A repercussão de sua partida foi imediata em todo o cenário esportivo nacional. Clubes, historiadores, ex-atletas e torcedores prestaram diversas homenagens nas redes sociais e em manifestações oficiais, exaltando tanto o atleta exemplar quanto o cidadão respeitado que marcou gerações dentro e fora dos gramados.

O legado eternizado no Athletico e no Corinthians

A relação de Jackson com o Athletico Paranaense ia muito além dos números expressivos. Estatísticas do clube apontam que o ex-artilheiro deixou sua marca em 90 partidas diferentes. Em 39 oportunidades, ele anotou pelo menos dois gols, registrou 24 hat-tricks e alcançou o feito de marcar quatro gols em um único confronto em quatro ocasiões distintas.

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Entre os episódios mais marcantes de sua relação com o Furacão, destaca-se uma demonstração histórica de afeto pelo clube. Conforme relatos de historiadores e jornalistas esportivos, quando seu contrato chegou ao fim e ele obteve a posse de seu próprio passe, Jackson se transferiu para o Corinthians, mas optou por repassar integralmente o valor recebido pelas luvas da transferência de volta aos cofres do Athletico, como forma de agradecimento pelas portas abertas no início de sua trajetória profissional.

No clube paulista, o ex-jogador integrou uma das formações mais emblemáticas e celebradas da história do futebol nacional. Ao lado de ícones como Cláudio, Luizinho, Baltazar e Carbone, Jackson fez parte do célebre ataque alvinegro que marcou 103 gols em apenas 28 partidas durante a campanha vitoriosa do Campeonato Paulista de 1951, competição que encerrou um jejum estadual de quase uma década para o Timão.

Em nota oficial publicada nas redes sociais, o Corinthians destacou a importância histórica do atleta:

“Jackson era o jogador mais velho entre os atletas que vestiram a camisa do Corinthians. Campeão paulista pelo clube, era também o último remanescente vivo do ataque que marcou 103 gols no título estadual de 1951. Vestindo o manto alvinegro, atuou por duas temporadas, entre 1950 e 1952, somando 57 jogos e 35 gols marcados. O Sport Club Corinthians Paulista manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos de Jackson Nascimento neste momento de dor e luto.”

Por sua vez, o Athletico Paranaense decretou luto oficial, alterou a imagem de perfil de suas plataformas digitais e publicou mensagens exaltando o impacto eterno do ídolo rubro-negro:

“Sua história com o Rubro-Negro atravessou e inspirou gerações. Obrigado por tudo, Jackson! Lendas nunca são esquecidas. Descanse em paz.”

Reconhecimento de figuras históricas e renovação do legado

Diversas personalidades do esporte paranaense e nacional expressaram condolências e ressaltaram a relevância de Jackson para o futebol. O capitão Hidalgo, ídolo histórico do Coritiba, recordou com carinho a elegância do ex-jogador tanto nos gramados quanto na vida pública, onde atuou como advogado.

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“Para mim, ele está no pedestal. Sempre foi um brilhante jogador e um grande personagem, reconhecido por todos. A despedida serve como referência, e a torcida sempre vai lembrar, porque a história dos grandes personagens de um clube de futebol é contínua”, pontuou Hidalgo.

O pesquisador e historiador Rogério Michailev também enfatizou a magnitude do legado deixado pelo ex-atacante, classificando-o como um verdadeiro símbolo de liderança e esportividade.

“Ele foi craque, ídolo, líder e campeão dentro e fora de campo, referência de atleticanismo até o final da vida. Um *gentleman*. O legado da vida do Jackson é perene. Vive agora como legenda nas mentes e corações rubro-negros que torcem e amam o clube”, declarou.

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A paixão pelo futebol e o respeito pelo Furacão, contudo, continuam vivos na nova geração da família. Gabriela Klein, bisneta de Jackson, aos 13 anos de idade, já integra as categorias de base do Avaí e cultiva o objetivo de alcançar os mesmos feitos do bisavô, sonhando em defender as cores do Athletico Paranaense no futebol feminino para perpetuar a dinastia da família nos gramados da capital paranaense.

Fonte:: umdoisesportes.com.br

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