O Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná (SEIA-PR), realizou a entrega de 1.000 aparelhos celulares para a Universidade Estadual de Londrina (UEL). A iniciativa tem como propósito central dar suporte à expansão do Projeto Kalulu, uma ação pedagógica e científica que aplica conceitos de neurociência e psicologia cognitiva para otimizar o aprendizado da leitura e da escrita em escolas da rede pública.
Com a chegada dos novos dispositivos, os equipamentos serão preparados para receber a aplicação do jogo educativo Kalulu. Essa ferramenta interativa será disponibilizada diretamente para as crianças matriculadas nos municípios que integram a abrangência do programa, servindo como um suporte tecnológico e lúdico para professores e alunos nos primeiros anos do Ensino Fundamental.
Parceria internacional e expansão territorial
A mobilização faz parte do esforço contínuo do poder público estadual para ampliar o alcance da iniciativa. O projeto teve início piloto no ano de 2025 no município de Cambé e, para o ano de 2026, o planejamento prevê o atendimento a mais nove municípios paranaenses, multiplicando o impacto educacional da metodologia na região.
O programa é fruto de uma colaboração científica ampla que une pesquisadores da própria UEL, da Universidade Federal do ABC (UFABC) e do prestigiado Collège de France. Trata-se de uma cooperação internacional diretamente associada ao trabalho do renomado neurocientista francês Stanislas Dehaene, considerado uma autoridade global nos estudos sobre o funcionamento do cérebro humano e os mecanismos biológicos e cognitivos envolvidos na aprendizagem da leitura.
A participação da Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial evidencia a importância de aliar a tecnologia e a gestão pública para solucionar gargalos históricos no setor educacional. Para o secretário da pasta, Marcos Stamm, a ação valida a capacidade de a academia entregar resultados práticos para a população.
“A inovação também acontece quando conseguimos transformar o conhecimento científico em soluções que melhoram a vida das pessoas. O Kalulu é apenas um dos muitos exemplos de como a pesquisa e a inovação podem gerar impactos concretos na sociedade”, destacou o gestor.
Metodologia embasada em evidências científicas
O núcleo da proposta do Projeto Kalulu reside na tradução de rigorosas descobertas científicas sobre o desenvolvimento cognitivo da leitura em instrumentos práticos e acessíveis para o cotidiano escolar. A estratégia pedagógica articula recursos didáticos diversificados, plataformas gamificadas, capacitação continuada para os professores e um monitoramento constante do progresso de aprendizagem dos estudantes.
A professora Carla Cristiane da Silva, docente e pesquisadora da UEL que atua como uma das coordenadoras da iniciativa, pontua que estreitar os laços entre o ambiente acadêmico e as salas de aula é um passo indispensável para modernizar a alfabetização. “Com o uso de ferramentas lúdicas e uma metodologia estruturada, buscamos apoiar professores e oferecer às crianças condições mais adequadas para desenvolver as habilidades de leitura”, argumenta a especialista.
Os reflexos positivos dessa abordagem já puderam ser medidos na fase inicial em Cambé. Na ocasião, o programa foi implementado em 17 unidades de ensino da rede municipal, beneficiando aproximadamente 1.300 alunos matriculados no 1º ano do Ensino Fundamental.
O processo foi submetido a um rigoroso estudo controlado e randomizado, que permitiu confrontar o desempenho das turmas inseridas no projeto com o de grupos de controle que seguiram as diretrizes tradicionais de ensino. Os dados finais revelaram que, ao término do ano letivo, 58% das crianças que interagiram com o sistema Kalulu apresentaram a capacidade de ler mais de cinco palavras por minuto. Em contrapartida, o índice registrado entre os estudantes do grupo comparativo foi de 45%.
O sucesso e a comprovação estatística da eficácia dessa experiência pavimentaram o caminho para a nova fase de crescimento em 2026. Com o aporte financeiro e logístico da SEIA, a destinação dos mil celulares à UEL surge como o elemento integrador necessário para garantir a infraestrutura tecnológica exigida pelo software educacional na nova rede de municípios atendidos.
Fonte:: seti.pr.gov.br


